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A Letra Z do Zorro
A letra Z é a vigésima sexta e última letra do alfabeto latino. Tem suas origens no alfabeto fenício, era a letra zain que significava arma e era representado pela figura de uma adaga (espada curta). Conheci o Zorro (mascarado de capa e espada que lutava contra todas as injustiças) na tela preto e branco da TV Ceará, Canal 2, afiliada da Tupi. Isso nos anos 60. Até então televisão era raridade na família. Foi meu tio Zanzão (João Batista de Paula Filho) quem primeiro comprou uma. A sala da sua casa na Av. D. Manoel 1076 ficava apinhada de gente. Lá em casa TV chegou em 1968, uma GE, com seletor automático de canais. TV colorida somente em 1970, para os jogos da copa do mundo de futebol, no México. Zorro nasceu em 9 de agosto de 1919 (está completando 100 anos) da imaginação de Johnston McCulley. Don Diego de la Veja (jovem aristocrata de origem espanhola que enfrentava os poderosos corruptos e cruéis que abusavam do povo humilde de Los Angeles e arredores) era interpretado pelo ator Guy Williams. Faziam parte da trama o seu fiel mordomo Bernardo e o robusto sargento Demetrio López García, um pretenso inimigo mais simpático do que perigoso. A assinatura de três traços com a espada para formar a letra "Z", de Zorro, era a marca registrada da série. 
Vi e não vi
Vi e não vi a ponta dos dedos. Sei que do nada lá estava tudo. Pés! O que esperava e também o que não aguardava. Não foi surpresa acreditar no mar. Nem podia ser isso ou algo assim das ondas. Talvez sal ou estrela de pontas. De repente tudo existe! Mesmo que não tivesse visto qualquer coisa ou até mesmo vazio eu compreenderia acreditar. Era existência. O tudo esperado do algo. O imenso segredo do breve. Veloz e absoluto. Imperceptível tempo e o seu riscado no chão do ar. Vento angular. Círculo fátuo de velas. Não foi um lugar, um porto indefinido ou um espírito de Iemanjá. Foi um nada possível. Nada justo. Foi assim fagulha. Foi assim fogaréu de luas. Um resfolegar de gozo? E depois: deltas. Águas de banho, de cheiro e espelho de flores: quem nos olha somos nós!  Quem nos vê enxerga o sonho. E o que vejo: pés na areia do mar. Seriam trilhas? Ou o incerto do navegar é preciso. Eu e os meus heterônimos.
Pacote do Veneno
Acordo cedo. Quem me conhece sabe. Hoje na CBN tive ciência da “problemática” do uso de agrotóxicos no Brasil e no Mundo através da reportagem de nome “Pacote do Veneno” que tramita no congresso brasileiro. A flexibilização das regras de uso dos agrotóxicos deve impactar campo e cidade e agravar um cenário já alarmante de intoxicação da população. No período de 2007 a 2014 cerca de 25 mil brasileiros foram intoxicados por exposição aos agrotóxicos no país. “Se o PL 6299 for aprovado vamos abrir a brecha para o caos” palavras da pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Laboratório de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP). Larissa (não a conheço) foi brilhante e ao mesmo tempo assustadora. É autora (foi o que entendi) de um mapa geográfico do uso de agrotóxicos no Brasil e na União Europeia. O que eu disse em mensagem para a CBN: “os problemas do país são tantos que não sabemos qual luta primeiro travar”. No livro Guerrilhas (tipo de guerra não convencional na maior parte das vezes rural no qual o principal estratagema é a ocultação e extrema mobilidade dos combatentes) existe um capitulo interessante que diz: Qual a melhor hora: Agora ou nunca mais? Nunca esqueci disso. Estratagema significa: plano prático para atingir determinado objetivo. 
Toque Fatal
Toque. Contato rápido. Efeito de tocar. Deus insuflando vida com o indicador na direção do que é mágico. Linguagem de gestos, incidente de peles, arrepios na capela. Sopro. Primeiro foi o queixo na mão. Depois o olhar através da janela de ferro. Aproximação de labirintos? Presença de curvas e dedos. Dos úmidos silenciosos. Toques e retoques e outros mundos. Seria um retrato de águas? Novo toque – agora – no espalho do verso. Encontro de olhares e palavras silenciosas. Adiante – muito além – o avesso do imaginário. Um franzir de testa, um sorrir de brevidades e abraço profundo de chão. A terra gira e o sol olha. Expressão de capelas. Toque fatal.
Esmolas para Belarmino
Pedir esmolas no Brasil já foi crime. Isso eu não sabia. Fazia parte das contravenções penais e pena de 15 dias a três meses de detenção. Deixou de ser crime em 2009. Esmola significa dádiva caridosa feita aos pobres. Conforme a religião tem lá sua “justificativa” para a prática de atos óbolos. Por ser voluntário - dá quem quer e pode - vale o que manda o coração. O tal dízimo (décima parte de algo, paga voluntariamente) enquadra-se no óbolo em questão. Até ai nada contra. Pago lanches, café com pão, pasteis e até almoço para quem me pede. Hoje lendo sobre Galileu Galilei dei de cara com um tal de São Belarmino, jesuíta italiano e cardeal católico, canonizado em 1930. Belarmino era fã das esmolas (recebidas, claro) e pregava cinco vantagens para quem praticasse óbolos: satisfação por pecados cometidos, méritos para a vida eterna, perdão dos pecados, confiança em Deus e inspiração dos pobres a rezarem por seus benfeitores. Inquisidor cara de pau. Foi Belarmino que, no ano de 1616, por ordem de Paulo V, notificou Galileu sobre um vindouro decreto condenando a doutrina de Nicolau Copérnico de que a terra se movia e que o sol era imóvel. Ou seria a terra um cubo copernicamente plano?
O Voo das Palavras
O voo das palavras. Algumas saem da boca - flechas incertas – e não atingem o alvo. Gritos surdos! Erro de direção? Possibilidades. Outro aviãozinho - palavras ilhadas - e outro silêncio adiante. O absoluto do reino. Cansa lancear desafios. Cansa esticar linha de cerol. Cansa esperar respostas. A pipa voa do vento que é. Sustenta-se no ar feito algodão no céu. Das tentativas. Quantas infâncias? Apenas as necessárias: além da conta. Espera mundo! Palavras são assim: quase perdidas ou nenhuma esperança. Quem sabe - ainda - uma sorte. Uma faísca de moeda de caras ou um baú no fim do arco-íris. Anjos caídos. Assim são as palavras inúteis. Não há sentido na direção das asas. O que volta não é o eco do grito e sim bumerangues selvagens. Melhor mudar de boca, usar a língua alheia do corvo, o cuspe do sangue ou a dobra mágica de outro verbo irregular. Das dobraduras além do bilhete. Mesmo que vazio voa! 
Herzog, Konder e Audálio: todos mortos!
Parque D. Pedro II, em São Paulo. Na época (com 20 anos) fui inscrito na CCS – Pelotão de Transporte e por ser motorista categoria B, assumi a condição de motorista de campo do Ten. Cel. Pedro Luiz da Silva Osório. Lembro-me que saímos em missão apenas duas ou três vezes. A mais importante (creio eu) foi no desfile Militar de 7 de setembro, na Avenida Tiradentes. Com dois meses de quartel e cinco da morte do jornalista Vlado (Vladimir Herzog) fui escalado para o P1 (posto de serviço) no QG do II Exercito, no Parque do Ibirapuera. O P1 era estratégico. Um veículo militar, Eu de motorista (com uma submetralhadora beretta M-12) e um segurança, com FAL (fuzil automático leve), de prontidão, a serviço do General Dilermano Gomes Monteiro. Homem frágil, inteligente e apaixonado por literatura. O meu livro de nome A Morte e o Corpo foi escrito no plantão do P1. Os assuntos Herzog e Konder eram proibidos. Na verdade não existiam. Depois da abertura política conheci o Rodolfo Konder na sede da União Brasileira de Escritores. Fomos amigos. Tive a honra de publicar um livro seu de nome Palavras Aladas. Herzog veio depois, através do amigo Audálio Dantas e o seu livro de nome As duas guerras de Vlado Herzog. Dilermano, Konder, Audálio e Vlado estão mortos. O ano de 1976 ficou.
Volta do Exílio de Milton Nascimento
Minha ligação com a FAU/USP, no início dos anos 70, deve-se ao irmão José Henrique (cinco anos mais velho do que eu) então aluno de arquitetura. Foi na revista POETAÇÃO, editada por alunos da casa, que fiz minha estreia literária com a publicação da poesia Mulher de Rua, em 1973. Foi lá que conheci o escritor Milton Hatoum, um dos editores da revista de arte literária e resistência. Hatoum era membro atuante do DCE e foi perseguido pelo DOPS e algumas vezes convidado a xilindrar, para averiguação. É dessa época “Milagre dos Peixes” e a volta do exílio - depois de 13 anos - do cantor e compositor carioca, o mais mineiro de todos, Milton Nascimento. Nascimento em 1964 foi preso pelo regime militar e classificado como subversivo. Na prisão teve um inicio de derrame. É o que dizem. Foi levado ao hospital e depois solto. Cumpriu seis meses de prisão domiciliar. Sem condições de trabalhar no Brasil exilou-se em Paris. Passou pelo Canadá, Estados Unidos e por fim Venezuela. Voltou em 1973, certo que agora a “travessia” seria diferente. Engano. Suas canções censuradas eram apenas entoadas, apenas a melodia, sem letra. Sem poder trabalhar passou a fazer shows promovidos por DCEs de faculdades. Em 1973, no Campus da FAU/USP, aconteceu o histórico e lendário show a céu aberto promovido pelo DCE. O público ocupou literalmente o “morro” área que fica de frente à faculdade. Eram milhares de estudantes. Eu estava lá. Eu, meu irmão José Henrique Scortecci de Paula, Ruth Cassab Brolio, Roberto Brolio (irmão de Ruth) e Eliana Scortecci Petrilli (minha prima por parte de mãe). Depois do mega evento Milton Nascimento tornou-se “um procurado” pelo então secretário de Segurança Pública de São Paulo Cel. Erasmo Dias, figura de dar arrepios até em pinguins. Em a vida é bela, anos depois da invasão da PUC/SP e do grito do Coronel Dias: “É proibido falar. Só quem fala aqui sou eu”, o recebo doce e simpático na Scortecci Editora para então publicar sua obra de nome “Segurança dos Cidadãos”.  Assim é a memória da vida, agora mais do que bela. 
Das bigornas

Das bigornas. Do aço forjado, do ferro golpeado e do meteoro malhado e aguçado. Nelas - os chifres – são do norte e do sul. Ou seriam sinais do nascente e do poente magnético? Bússola do avesso. Lembrei-me de uma bigorna que ficou esquecida no chão do mar. Maré baixa aparecia na areia e ocupava existir. Estava lá e sempre. Maré alta desaparecia nas águas do sal e fim. Quem teria sido o seu açoite? Fico aqui pensando nas duas pontas da sua história de gente. Dualidades? Teria ela sido malhada, golpeada e forjada pelo bruto? Provavelmente. Na condição de utensílio somos serviços da escravidão. É o que somos. Filhos do tronco. Um dia volto lá e desvendo suas águas. Bigorna na areia de oceanos forjada no dorso das marés e do tempo. 

O Vento, Temporais
O vento, temporais, destinos: tudo se expande. Travessias, por navegar! Movimento veloz, pontual, mágico. Nossas renitências são sopros, colhem almas, entregam segredos, amam destinos. É o espetáculo da vida, do universo, do verbo pela palavra de postar no coração o poema-sem-fim.
Ceticismo
Nós eternos jovens costumávamos “filosofar” sobre esquerda ou direita montados na linha horizontal das ideologias. Era fácil e simples olhar para os lados e decidir sobre qual o caminho ou a direção a seguir. Até para os centristas sempre sobrava um ou mais pontos no horizonte dos espaços. Naquela época pensamos igual fita métrica ou régua T. Hoje a tal linha horizontal de sóis e luas tornou-se um pendulo vertical com bolas de sebo nas extremidades. A direita hoje ocupa a cabeça da besta. Não faz muito tempo era à esquerda dona do pau de sebo. No meio dos desafios em cair, subir e ou continuar no sebo estão os corações do ceticismo. Aqui com os meus botões de ossos: Qual o tamanho da demora? Qual a dimensão do avanço? Qual a hora do alarme do caos? Sóis e luas não são mais os astros do céu político. Fim do mapa de cartas, fim de uma certeza qualquer de futuro.
Eugênio Gudin
Antes da hora não vale! Início dos anos 80 Eugênio Gudin (economista liberal brasileiro) era, até então, nome do diretório acadêmico da faculdade de economia Mackenzie. Gudin viveu 100 anos e três meses. Em 1983 noticiaram sua morte. Fiquei muito triste e iniciei a leitura de sua obra de nome “A controvérsia do planejamento na economia brasileira”. Dias depois - a rádio que havia dado a falsa notícia – pediu desculpas. Professor Gudin viveu mais três anos e alguns meses. Chico Anísio, Renato Aragão, Silvio Santos, José Carlos Garbuglio e outros, também passaram pelo constrangimento de morrerem antes da hora. Desagradável. Comigo aconteceu uma única vez e a experiência foi traumática. No dia 22 de março de 2013 atendi varias ligações na editora quando da morte do escritor e jornalista João de Scantimburgo. Estou vivo! Foi o outro João! Repeti quase uma centena de vezes o mantra da salvação. Mesmo em tempos de internet desmentir dá muito trabalho e leva tempo e corre-se o risco de escutar alguém dizer: Já vai tarde!
Bodoni, Giambattista
Bodoni, Giambattista (Saluzzo, 1740 - Parma, 1813). Foi Tipógrafo do Duque de Parma e apontado por ele como diretor da "Stamperia Reale" de sua cidade. O seu pai era impressor e foi responsável pela transmissão de conhecimentos e paixão nesse ofício. O prédio aonde a Stamperia se localizava é hoje sede do Museu Bodoni. Em 1798 criou a tipologia Bodoni Book, que provocou uma revolução na comunidade tipográfica da época e é usada até hoje. Em 1788 lançou seu Manuale tipográfico, contendo 291 alfabetos em várias línguas. Para Bodoni, a beleza dos textos residia na letra e assentava em quatro virtudes fundamentais: regularidade, nitidez, bom gosto e graça.
Controvérsia. Eu e as palavras
Eu e as palavras. Não há como negar a força de cada uma delas. Dividem-se em duas categorias: as boas de boca e as boas de texto. As boas de oratória (a arte do bem dizer) quando “ditas” no certo da hora - com energia e sabedoria - são sentenças perfeitas de vida ou morte. Assim acontecem com os pensamentos, os provérbios e as máximas. As palavras boas de texto (as que permitem interpretação e transmitem uma mensagem) geralmente acompanham a ideia principal ou ideia mãe de uma obra. Hoje me “peguei” com a palavra controvérsia (boa de boca ou boa de texto?) no sentido de discussão, disputa, polêmica da questão sobre a qual há divergências. Controvérsia é uma palavra quando usada de cunha em conflitos, brigas e bate-bocas costuma causar estragos e valorizar o contraditório. É o tal do “não é bem assim”. A palavra contenção, sinônimo de controvérsia, acende o sinal de alerta do princípio da dúvida. Assim sendo dou-me a escolher: palavra boa de texto!  Fica o aviso: contestação e impugnação são palavras que também habitam o universo das controvérsias. 
Menotti Del Picchia
Conheci Menotti Del Picchia (poeta, jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, pintor e ensaísta) no ano no final dos anos 70. Em 1982, quando abri a Livraria Scorteci Editora (Teodoro Sampaio, 1704 - loja 13, Galeria Pinheiros) tive a honra de receber a visita de Menotti e Lygia Fagundes Telles, quando chegaram na loja - de surpresa - de braços dados. Frequentei sua casa na Av. Brasil (São Paulo) varias vezes. Fiquei amigo também de Helena, sua enteada, filha de Charles Miller (homem que trouxe o futebol para o Brasil). Menotti, durante anos, colaborou com o meu avô José Scortecci na Revista PAN (1934-1945). O Príncipe dos Poetas (1982) era “fã” de Juscelino Kubitschek. Tinha uma foto do Presidente JK na parede da entrada de sua casa. Vez por outra conversávamos sobre a Semana de Arte Moderna (1922) e o personagem principal era sempre o “esfomeado” Oswald de Andrade. Segundo o Príncipe Menotti o vate antropófago era possuído por uma intensa, profunda e constante fome. Reuniam-se – costumeiramente – aos sábados, em sua casa. Chegando abria geladeira, armários, saco de pão velho, tudo. A baixa era grande. Helena, que sempre participava dos papos - balançava a cabeça concordando. Para fugir dos ataques, por sugestão de alguém, criaram um “sopão” com todas as sobras da semana. Menotti que era pintor e retratista (tenho dele algumas gravuras que ganhei de presente) chegou a pintar um quadro com Oswald de Andrade, de babador, antropofagando o “sopão”. O quadro (de fazer inveja a Tarsila do Amaral) ficava na parede da cozinha da casa, como prova do crime modernista. 
Tipologia
Nos anos 80 um respeitadíssimo professor de português de nome Ézio Grassi Peluso me corrigiu o uso da palavra “tipologia” para o estudo sistematizado dos caracteres tipográficos no que se refere ao desenho das fontes e família de tipos. Disse ele: tipologia tem inúmeros conceitos, mais não se aplica ao mundo tipográfico. Tipologia é o estudo dos caracteres morfológicos do homem. Consultei o dicionário (ele tinha razão) e guardei a lição na cabeça. Hoje, quase 40 anos depois, repeti a pesquisa e foi surpresa encontrar inúmeras referências de tipologia como o estudo dos caracteres tipográficos. Língua viva! Foi o que descobri ontem assistindo ao filme “O Gênio e o Louco” sobre o brilhante trabalho de James Murray (interpretado por Mel Gibson) na compilação de palavras para a primeira edição do dicionário de Inglês de Oxford, em meados do século 19. Sean Penn (ator e diretor) faz o papel do maravilhoso e inesquecível Louco, morfologicamente falando.
Resiliência
A palavra da moda agora é resiliência. Palavras entram e saem de moda. A lista é grande: relativo, evidentemente, óbvio, com certeza... Gosto deste movimento elástico na fala, na escrita e na comunicação. Em física resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Encontrei mais adiante o significado de “resiliência” em psicologia: é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas. Ser ou não ser além da física? Optei pela química das combinações, das misturas, das ebulições, do éter, dos cheiros, da poesia, das fragilidades e fraquezas da vida.
Química das Empatias
Química das empatias. Da situação. Do nosso agora por todos juntos: iguais na dor. Da capacidade de saber o que sentiria - ela e por ela - caso estivesse na mesma situação de suas vivências. Ela das dores, das feridas, das chagas e do vazio do abandono. Qual vento nos ensina isso? Das empatias. Do altruísmo e da misericórdia. Das decisões pelo trem, pelos trilhos, pelo último vagão. No embarque do pulo o chão de sua chegada. De sua parada no ponto. Da mortalha que cobre o pano e o sangue da tragédia. Da empatia das químicas do mel. Do mel que voa suas abelhas pela dor compartilhada. Pude ainda ver a locomotiva subir na linha e virar a curva do longe e sumir. Do corpo que parou adiante. Despetalado. Inerte. Abatido. Resposta intelectual? Certeza que não. Talvez cansaço de razão, de indiferença, de vida que segue veloz.
Jorge Miguel Marinho
O escritor Jorge Miguel Marinho - que nos deixou essa semana - era reservado, quieto e um observador como poucos. Conhecemos-nos em 82, na Galeria Pinheiros (Teodoro Sampaio, 1704), em São Paulo. Estava reformando a loja de número 13, para ali implantar uma pequena livraria e o início do que viria a ser no futuro a Scortecci Editora. Jorge Marinho parou diante da loja e ficou observando o trabalho de pintura, vitrina e iluminação. Usava uma boina na cabeça e óculos de aros redondos. - O que vai ser aqui, perguntou. - Uma livraria e editora. Uma editora? Surpreendeu-se. - Sim, respondi. Estamos começando e a ideia é publicar livros de novos autores. Jorge Marinho sorriu e disse: que bacana. Eu sou escritor. Moro aqui no prédio em cima da galeria, explicou. Foi o inicio de uma longa e boa amizade. Sempre que podia dava o ar das graças na loja 13 e nos eventos literários promovidos pela Scortecci. Jorge Marinho era carioca, mas de coração paulistano. Vencedor de um Jabuti (Te dou a lua amanhã). Acompanhei de perto o crescimento de sua carreira literária e sucesso. Em uma entrevista em 2013 declarou: “se eu não escrever, não vivo bem”. Eu digo o mesmo. Isso explica a minha admiração pelo simpático amigo escritor da Rua Teodoro Sampaio.
Memória Alfenim
Uma coisa puxa outra e mais outra. Assim é a memória Alfenim (doce muito popular no nordeste brasileiro feito de calda de açúcar concentrado). Hoje na FOLHA (Mercado, A-15) tomei ciência do anúncio feito pelo Facebook da criação da criptomoeda de nome Libra. O G7 (grupo dos 7 países mais poderosos do mundo) anda perdendo o sono e não sabe como lidar com o assunto. A croptomoeda entregaria grande parte do controle da política monetária de bancos centrais para empresas e organizações sem fronteiras. A questão – resumidamente – passa pelo poder do gigante da web e suas infinitas possibilidades no uso da Libra, rodando “livre e solto” no corpo do seu poderoso banco de dados. No buscador Google (ou indicador?) cheguei ao livro “Os Protocolos dos Sábios de Sião” (leitura imbecil dos anos 80) e no Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu (ainda não lido, felizmente). De Alfenim a Alfenim – nas proposições do indicador - cheguei ao mapa deste post sobre a fundação da República Florentina (1115-1532) e a história dos golpes e contragolpes da Família Médici. Mark Zuckerberg pensa “guardar” sua criptomoeda em Genebra, na Suíça. Eu não faria isso. Fica a dica: que tal Firenze? 
Luiz Caldas Tibiriçá
Foi o professor Ézio Grassi Peludo que me apresentou Luiz Caldas Tibiriçá (1913-2006), geólogo, arqueólogo e lexicógrafo, considerado um dos maiores especialistas em línguas indígenas da América do Sul. Tibiriçá e Ézio frequentaram a editora durante anos. Ficamos amigos e o que hoje sei de tupi-guarani devo a ele. Em dado momento da vida Tibiriça pirou da cabeça. Abandonou tudo e foi morar em uma vila de pescadores na cidade de Cananéia, litoral paulista. Ficou lá um par de anos. Foi se “curar da civilização”, disse ele. Pude conhecê-lo no período da sua volta ainda mais sábio e encantador. Uma vez o levei comigo para um evento literário na cidade de Piracicaba, interior de São Paulo. Na estrada ele me pediu para comprar uma penca de pacovas. Uma penca? Sim, disse ele. Foi o que fiz. Tibitiça comeu durante a viagem 32 pacovas. Acangaíba!
Fazer diferente!
Fazer diferente! É o que dizem as cabeças. Escuto a ideia quase que diariamente. Um sinal de que o otimismo está voltando? É possível. Gosto da sensação que a ideia provoca frente às inquietações da vida. Fazer diferente enquadra-se no espelho do “mudar” com inteligência e sabedoria. Há um ar de serenidade, de calma, no conceito “fazer diferente”. Sim ou não? Gosto de tudo que vem do coração - do entusiasmo selvagem - e amadurece na cabeça do tempo. Experiência? A energia do “fazer diferente” tem princípios, atitudes, jeito de agir e até de plenitude de voo. Nele você não precisa chutar o pau da barraca, ser radical, insensato e nem rasgar as páginas do guia do seu norte. Pode ser atitude, um não à inércia - que consome o corpo – ou até o ativar de botões. De teclas! Fazer diferente é criativo, equilibrado e antenado com a razão das coisas. Fazer diferente é do bem. Por fim e não mais do que isso, o “fazer diferente” deve agradar os gregos lúcidos e os troianos enlouquecidos. Ou seria o verso da moeda? Deve agradar - sistematicamente - direita e esquerda. Pede ser o bom senso espiritualizado, o inicio de qualquer coisa de novo e melhor.
Do ódio
Do ódio. Da aversão intensa. Da odiosidade e da natureza humana. Eu as vejo nas diferenças, no útero, nos seios da morte. Perplexidade da razão e dos covardes do medo. Sinto os extremos na vertical. Eu que acreditava serem horizontes. Distâncias de buscas e desejos do céu. Não há misericórdia na ignorância. Não há sabedoria na tragédia do sangue. Sinto-me pobre de fome. Sinto-me rico de fracassos e decepções. Não sei lidar com o magma do ódio, com o ferro do julgar e nem com o corte das perdas. Teria Eu escrito uma resposta digna? O afrontamento parece inevitável. Das explicações que não encontro no corpo que é a vida. Parece que estamos no alto da roda com lama ou no poço seco das águas da dor. É o sofrimento dos anjos caídos que não sabem e não querem voar.
Das Percepções Individuais
Das percepções individuais. Do juízo de valor: culturais, sentimentais, ideológicos e pré-conceituais. Não há controle - felizmente - sobre o que os outros pensam sobre nós. Isso nos liberta: dos parasitas, dos alheiros e dos pobres de espírito. Não há “gorduras” por carregar além das nossas.  Das percepções gravitacionais: fazer o melhor. No livre-arbítrio o não julgar e a subjetividade do gosto. É o que somos de nós e não o dos outros.
Das Ambiguidades
Das ambiguidades. Dos ambíguos do trevo. E das encruzilhadas. Direção de dois e tantos sentidos, significado de dois ou muitos lugares. Polissemia de amores. E foi assim o derradeiro amor da Imprecisão com a Indecisão. Paixão das hesitações, do primeiro verso do dia. Poema torto? Ou um indeterminado verso perdido de outros. Assim são as palavras do trevo. Talismã de letras do livro das ambiguidades de tempo algum.
Apollon 11
Apollon (deus grego) era filho de Zeus e Leto. Foi Homero quem o imortalizou na ilíada como sendo o deus da divina distância (protetor dos céus). Vestido de nu, no auge de seu vigor, simbolizava-se com a serpente, o corvo e o grifo (criatura alada com cabeça e asas de águia e corpo de leão). Apollon foi do bem e também do mal e continua presente na cabeça do tempo até hoje. Na condição de protetor dos céus Apollon pisou na lua no ano da graça de 1969, na epopeia alada do grifo 11. Homero: Como devo te cantar, tu que por tudo que és mereces o louvor? Poema épico? Divina distância... Eu menino no Ceará colocado na TV preto e branco sonhando um dia ser igual Neil Armstrong e compor - por quê não? – a derradeira ilíada dos céus: "Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade"
A Lagarta do pé de Vento
A lagarta do pé de vento virou borboleta azul do céu. Eu vi, eu estava lá, eu desejei voar igual: foi assim que a vida me levou além do último horizonte. Agora posso voltar ao mirador e ser o caminho da minha própria metamorfose. Eu quero o segredo de chegar e partir - sempre. Despedida? Não. 
Das Coisas Recentes
Vou até lá e volto logo. De pronto, no automático. Isso foi um instante “novo” e muito recente, do agora. Rápido e incomum. Aconteceu e pronto, em um único espaço de existência. Agora - que tudo se foi - não adianta ter pressa! Nada que é recente acontece do passado. Seria um futuro? Foi assim no primeiro dia, depois e em todos os outros, também. Andei - por nada e a toa - listando as coisas do recente e pude então observar que não há razão nas brevidades do tempo. Não há segredos e algo se revela em cena. Não há surpresas e eu levo um susto dos cabelos. Apenas um silêncio. Isso existe? Não há o que temer e logo o suor gela os ossos do corpo. Eu disse que voltaria logo. Foi o que fiz. E isso - de ter voltado - pouco importa. Sou do acaso. Talvez andarilho. Do grito na boca das palavras miúdas, no aconchego do repente - ouço vozes - e no melhor das coisas: adormeço. Das horas. Eu e o relógio que adianta - por nada, por teimosia, por morte na parede do finito.
Fernando Sabino em "Gosto de quem gosta de mim"
Conheci Fernando Sabino nos anos 90 (na época do livro “Zélia, uma Paixão”) em um evento literário em São Paulo. Trocamos “gentilezas” e o tempo passou. Na oportunidade não pude lhe dizer da importância do livro O Encontro Marcado (escrito em 1956, ano do meu nascimento) na minha vida. Nosso verdadeiro encontro aconteceu na BAND, no programa da jornalista Silvia Poppovic. Além de Sabino estavam Lucélia Santos (Atriz) e um músico, que não me recordo do seu nome. O papo foi sobre “cultura” e o que cada um andava fazendo de bom. No final do programa Poppovic abriu espaço para perguntas entre os convidados. Lucélia Santos me perguntou sobre o assunto do meu livro: A Morte e o Corpo, o músico perguntou para Lucélia Santos sobre sua interpretação no filme Escrava Isaura (1977), e Eu - sorte minha - ao Fernando Sabino: - O que é uma boa história? A pergunta não o surpreendeu e a resposta veio de pronta: - Uma boa história é aquela que pode ser contada! Nunca me esqueci disso. O melhor veio depois, já no pátio da emissora, no bairro do Morumbi. Ficamos esperando a chegada da Van, que o levaria direto ao aeroporto. Pude então abrir o coração e lhe contar sobre a importância do seu livro na minha vida e que o admirava muito. Sabino se emocionou “juro que vi lágrimas nos seus olhos” e então me disse: “Scortecci, gosto de quem gosta de mim”. Encontramos-nos ainda mais algumas vezes em bienais do livro do Rio e de São Paulo. Sabino morreu em 2004, aos 80 anos de idade. 
Das tormentas do espírito grande
Das tormentas do espírito grande. Das tempestades. Das pressões nas moendas dos ossos. Das juntas. Das tripas trituradas, igual presa no papel. Tão iguais e tão do absoluto. Não se conheciam - ainda! Encontro que sofre e sangra. Lâmina que corre veloz no perfil do rosto. Mortal. Foi um riscado, apenas um traço de rubor fatal. Desenhos sombrios? Ato de fluir feito rio: até o encontro de gotas e lagos. Imensidão. Espelho das águas que se afogam e se acomodam no delta de luz. Movimento de dobras. Eu barquinho de papel. Eu naufrago e sobrevivente. Eu titãs.
Eu e os Livros

Os livros estão no dorso da minha cabeça desde os anos 70. Os números impressionam e o tempo também. Em agosto completaremos 37 anos e a incrível marca de 10 mil títulos em primeira edição. Aqui cabe a piadinha do letrado em sua biblioteca e a pergunta inevitável: você já leu tudo isso? - Não é Sim. Foi até agora a melhor resposta que escutei de um amigo dono de uma imensa casa com livros. Ando cuidando do meu acervo e o trabalho de ter pelo menos um exemplar de cada na estante. Os livros não me assustam. São meus iguais e inquietos como Eu. Leio uma capa e logo o rosto do autor me chega do nada. Quando dou conta do imaginário vejo uma sala de muitos. Foi Sabino que um dia me ensinou: Scortecci eu gosto de quem gosta de mim. E assim tem sido sempre. Eu e os livros.

A Casa é o Reflexo: Yara Regina Franco
Poemas Diversos era o título “provisório” do novo livro de poesias da escritora Yara Regina Franco. Inicialmente pensei tratar-se de uma seleção de versos, sem ligação ou qualquer elo entre eles. Um engano. Li e reli em busca do fio condutor - sempre existe um - aquele que ocupava o coração do poeta no exato da hora, na difícil escolha de selecionar trabalhos para um novo livro. Tarefa árdua, principalmente quando não se trata do primeiro livro de um escritor. Yara é uma escritora experiente, com vários livros publicados e muitos ainda no prelo, para sorte de seus leitores e admiradores.Voltando ao propósito de - tentar - encontrar o elo poético de Poemas Diversos observei algo até então nunca visto nas outras obras da escritora: reflexão! Yara ao selecionar trabalhos para esse novo livro acolheu-se, olhou-se para dentro, mergulhou no seu Eu, posicionou-se à reflexão. O momento de Yara é de reflexão e acolhimento! Foi em A Casa é o Reflexo, poema que abre o livro, que encontrei o fio condutor, quase o mote - a chave – o caminho à compreensão do momento mágico da poética de Yara. Um portal poético? É possível. Depois, na sequência, encontramos: Alma, Casa da Vovó, Elos, Lágrimas, Paz...Foi nesta hora, depois de ler o poema PAZ, que serenei de vez e, mergulhei confiante porta adentro. A Casa é o Reflexo é um convite à reflexão ao mundo de Yara. Bom saber que ela está em paz! 
A palavra “matar” anda solta na web
A palavra “matar” anda solta na web. Está em tudo que é lugar da rede. Até nos pensamentos e ideias de paz. Estava lendo sobre ismos (sufixo que exprime a ideia de fenômeno linguístico) para um livro que estou escrevendo e acabei chegando aos morfemas (menor parte, dotada de significado, que constitui uma palavra), também conhecido como radical, que é o núcleo que abriga a significação externa da palavra. Perdi tempo nos sufixos verbais. Ma (mal) + a(r) de afastamento? Afastar o mal? Seria isso. Cadê meu amigo Pasquale? Ficamos na foto, no papo furado e acabei esquecendo de perguntar sobre os ismos, os fonemas e os radicais livres. Alguém sabe? A história toda me fez lembrar de um texto que escrevi nos anos 80 para a Yakult sobre maçãs. Má (que se opõe ao que é bom; ruim) + sã (saudável, bom). Algo assim: depende de você! O bom não era o dinheiro que pingava a cada safra e sim as caixas de maçã que chegavam – de surpresa – na boa morada.
A vida é Isso
Um dia eu tive 21 anos. Alguns duvidam disso. A vida é assim mesmo: “Desleal e desumana”.  Palavras do meu saudoso pai Luiz. Ele costumava dizer: “Não adianta comprar um canivete. O inimigo sempre carrega um facão”. Estou lendo o livro “1942” do João Barone, rebelde baterista dos incríveis “Paralamas do Sucesso”. Doce saber do seu pai “João Silva”, pracinha brasileiro que lutou na II Guerra Mundial. Meu pai Luiz foi do Pelotão Sampaio. Chegou até a embarcar em um navio americano, mas o navio acabou não zarpando. A guerra havia acabado. Minha avó Sarah - da promessa feita pela vida do seu filho Luiz - foi então resgatar o anel de brilhantes entregue a um padre. Hoje, “quase aos 60” compreendo o real significa da máxima “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Alguns ainda duvidam disso.
Acordeon
Uma das primeiras imagens que tenho da minha mãe Nilce é dela tocando Acordeon (instrumento musical aerofone de origem alemã, composto por um fole, palhetas livres e duas caixas harmônicas de madeira). Nada sei sobre sua compra, se foi presente ou não e, muito menos o seu paradeiro. Era vermelho perolado, parecido com o da foto. Não me lembro da marca, do som e nem das músicas que mamãe Nilce tirava do instrumento de colo. Algumas lembranças de infância são fortes, frágeis e incompletas. Gosto de pensar que são fragmentos de tempo algum do imenso grão de areia que é a vida. 

Nota: fiquei sabendo que o instrumento está com uma de suas netas: Ana Luiza. 
Aloprados na CEF

Sempre gostei de saber da sorte. Minha, dos outros, de alguém que um dia ganhou alguma coisa. Sou um comprador de bilhetes dos “bichos” leão e borboleta, e um disciplinado jogador da MEGA. Adoro rifas, bingos e roletas. Tenho até um número da sorte: o preto 17. Hoje continuo lendo na mídia sobre “as fraudes” na CEF. Nada contra Itapipoca, Serra da Saudade, Borá, Araguainha, Chapada de Areia e Parari. Cidades sortudas! São Paulo, que representa mais da metade das apostas nas loterias, no jogo das bolinhas e das probabilidades, continua com um azar dos infernos. 
19.01.2014

Anjo Torto
No dia 24 de novembro de 1971 um anjo torto me apareceu e me disse: te vejo em São Paulo. Eu tinha 15 anos e três meses de idade e morava em Fortaleza, no Ceará. No dia 3 de fevereiro de 1972 desembarquei na antiga rodoviária Júlio Prestes, em São Paulo. Na mala um caderno (guardo-o até hoje) com as revelações do tal anjo. Ele até hoje me protege e me sacaneia muito. Nos “suportamos” há 44 anos. Envelhecemos nossas vidas com manias, taras e birras. Ele insiste no desapego (seriam então a escrita de suas últimas linhas tortas?) e eu começo a gostar da ideia da sua ausência de mim. 
Anjo Torto II
O anjo torto anda solto. Arrasta suas asas igual vassoura no terreiro do inferno. Pobre de nós escolhidos de deus. Provações: até quando? No céu, as tragédias. No chão, as dores. Quantas mortes de sangue. Quantas aflições no reino da vida. Pobre país, o nosso. Abandonados, somos o grito de órfãos. Vencidos: do abraço vazio. Cadê a esperança do prometido exílio? Cadê o justo de nós? Bell um dia nos disse: somos a geração das crianças traídas! Nas catequeses, o sofrimento dói. Telhado de vidro. Quebra-te! Ó encanto do mal. Na escuta o derradeiro poema: até quando seremos posse do anjo torto? Meu país, nosso país. Nossa dor infinita sofre mais e mais perdas. O que nos assola: medo das águas, das enchentes, do fogo ou do futuro? Penso nos filhos. Penso nos netos. Pobre Brasil torto. Covardia dos demônios.
Antônio Houaiss - Mestre
Antônio Houaiss (filólogo, crítico literário, tradutor, diplomata e enciclopedista) morreu em março de 1999 e não viveu pra ver a virada do século. Adorava gastronomia e sempre que viajava fazia questão de provar - por mais exótica que fosse - a comida típica do lugar. Em uma noite de frio em São Paulo Eu, Houaiss e Enio Squeff (escritor e artista plástico) fomos comer uma pasta na Cantina do Gigetto, na Avanhandava. A presença do filólogo no restaurante foi motivo de alvoroço. Pedimos capeletti de carne e vinho tinto. Ficamos horas no pão com manteiga e no papo sobre suas andanças mundo afora provando comidas exóticas. Houaiss fascinava. Usava as palavras com precisão e equilíbrio. Tudo no seu devido lugar. A plateia - vinda de outras mesas - cresceu e o restaurante parou, literalmente. Foi quando o mestre subiu o tom da voz e começou a contar do sufoco que passou em um país da África cujo prato típico era cérebro vivo de macaquinho. Era uma mesa enorme com buracos do tamanho de um fundo de copo americano. Detalhava. Nos olhava nos olhos. Na mesa apenas colheres de pau e potes com temperos da casa. O silêncio era absoluto. Alguém do restaurante fechou as portas da cantina e se junto a nós. Não podia dizer não! Eu havia provocado e até insistido em provar do prato. Justificava. Os macaquinhos chegaram dentro de uma sacola de couro e gritavam, desesperadamente. Foram presos à mesa pela cabeça por uma barra de ferro. Lembro que uma moça saiu da escuta e foi para o banheiro. Na mesa o capeletti esfriava e não me lembro de ter sido tocado por mim e nem pelo Enio. Houaiss comia, bebia e falava com propriedade. Veio então um homem imenso, negro, com um facão e com a precisão cirúrgica foi cortando rente o tampo das cabeças dos macaquinhos. Pude ver o cérebro das presas pulando na caixa do crânio e o grito de alerta do chefe: peguem a colher de pau e comam. Comam! Foi o que fiz, justificou. Lembro de ter derrubado sal na mesa. Isso é ruim. Dá azar. Pegou o saleiro e jogou sal atrás das costas. Eu e Enio fizemos o mesmo. Três vezes! Não dá brincar com a sorte e nem com as palavras.
Arigatô

Hoje de manhã fui a cerimônia em memória de Hiroshi Kitani, que faleceu no último dia 30 de agosto, aos 73 anos de idade. Trabalhei sob o seu comando exatos 5 anos, na FK. Foi o meu primeiro e único emprego. Deixei a FK (empresa de Yujiro Furucho), em 1982, para montar a Scortecci e ele, junto com o Amigo Celso Kunioshi, a Kitani Locações. Em 58 anos de vida conto nos dedos as pessoas que marcaram e influenciaram minha vida profissional. Hiroshi Kitani foi uma delas. Foi um Mestre. Um economista brilhante, rápido, inteligente, humilde, sincero e honesto. Seu lema: “Cliente não é bobo e concorrente não é inimigo”. Seus ensinamentos estão até hoje no corpo administrativo da Scortecci. Registro o meu amor e respeito ao povo Japonês. Eles são “estrelas” no meu céu e me acompanham - sempre. Arigatô Kitani San. Arigatô.

06.09.2014

As babás do meu Cerol

Quando criança - lá no Ceará dos anos 60 - na hora de dormir, Eu e meus Irmãos Luiz e José, gritávamos para Das Dores, babá e anjo da guarda: - Das Dores “caga” a luz que eu quero dormir! E ela aos gritos respondia: - Já caguei. Já caguei! Repetíamos a brincadeira toda santa noite, até o dia que ela foi embora e nunca mais voltou. Depois vieram a Joana das águas e por fim, a Teresa do amor. Joana tinha uma doce tara por mim. Banhava-me em uma bacia com água morna e uma colher de sopa de açúcar (dizia ela que era para eu ficar docinho e gostoso...) e Tereza, com o seu delicioso aperto de coxas, nos ensinou o amor de mulher. Reminiscência poéticas do livro: Na Linha do Cerol.

03.03.2013

Big Techs Fora da Caixinha
Os gigantes da tecnologia estão avançando com apetite para os negócios financeiros. Os Bancos estão assustados e não sabem como segurar a onda. Muitos ainda estão na idade da pedra e resistentes a tudo que é novo. Seguem o “dinheiro” e priorizam saldos e contas milionárias. São zelosos e guardiões e o fazem com segurança. Onde está o problema? Para acessarmos uma conta bancária, de Crédito ou investimento - usamos “senhas” dos mais variados tipos. Os mais modernos Já utilizam senhas digitais e faciais. Tudo em nome da segurança e do cuidado com o patrimônio alheio. Justíssimo! Vez por outra - enchem o caso de seus clientes - solicitando atualização de cadastro e pedem um monte de bobagens e informações inúteis. Essas informações -  falo das pertinentes - nunca são usadas. No máximo para vender seguros de vida e outras pequenas coisas, que são alocadas nas obrigações de seus gerentes de produto. Não trabalham com o e-mail e nem com o número do telefone celular de seus clientes, diferentemente dos gigantes da tecnologia que usam e abusam das duas ferramentas na formação de perfis ativos de seus usuários. A porta está aberta! Hoje “sabem” da vida de todos nós. Sabem onde estamos, para onde queremos ir, o que consumimos, das nossas ambições, planos, desejos e sonhos. Os Bancos estão cegos ou são ingênuos? Alguns, em suas páginas na web, costumam escrever: “Não enviamos e-mails contendo links ou solicitando atualizações de certificados digitais, componentes de segurança ou identificação do usuário.” Outros “criaram” a tal da infeliz “plataforma” perdendo de vez o pouco do que ainda restava de contato corpo-a-corpo com seus clientes fieis e tradicionais. Isso é usar o ruim da tecnologia. É aquilo que nos afasta e nos isola do mundo. Estão pensando dentro da caixinha e não percebem que a vida acontece fora dela. 

Bilhete ao Poeco / Torrieri Guimarães
Já disse alguém que o trabalho intelectual exige 10% de inspiração e 90% de transpiração – querendo com esta afirmativa significar que uma obra de valor não se improvisa, nem se recebe diretamente de fontes exteriores ao artista, mas é quase sempre fruto de muito trabalho, de muitos anos de vivência, de observações, de estudos. Pode ocorrer que um artista, quando pronto, acabado, isso é, no fastígio de suas faculdades intelectuais, produza com maior facilidade excelentes obras. Nem assim se prescinde do trabalho intenso, nem assim se pode contar apenas com a sua inspiração que, quase sempre, é fruto também desse acúmulo de experiências de uma vida intensamente vivida. Com a Poesia, manifestação mais espontânea da alma, ocorre o mesmo fenômeno e até se exige um pouco mais de apurada vigilância por parte do poeta, por que a inspiração fácil demais geralmente revela pouca profundidade de pensamento e uma tendência à repetição de conceitos já batidos, gastos pelo uso, de pouca ou nenhuma novidade. Daí porque a Poesia, mesmo espontânea e fluente, precisa ser policiada pelo bom gosto do artista que a produz, exigindo, portanto, uma grande dose de transpiração, isto é, de trabalho de depuração dos conceitos, da apuração da forma, de aperfeiçoamento do ritmo e da medida. Pede-se Liberdade à poesia – mas, reflexo que ela é do homem e do mundo que ele cria, exige-se também que não haja abuso dessa liberdade e que, dentro dos seus limites, se possa construir a sua nova forma.
Bocejar é viral e contamina
Bocejar é viral. Contamina. Alguns dizem que isso acontece porque sua aura está buscando o equilíbrio. Hoje saí para caminhar às 5 da manhã. Fui a pé - ainda sem a bike - até a padaria, para o vício diário do meu café. No bairro conheço todos os madrugadores que saem para meditar, caminhar, correr e agora pedalar. Na subida da Av. Angélica cruzei com o Mestre Matsumoto. Um jovem professor de matemática, já aposentado, na casa dos 70 e poucos anos. Disse-me: “bom dia João” e não parou para conversar. Passou por mim feito uma bala perdida, veloz. Observei-o, pelas costas, admirando sua agilidade e sabedoria. Mais à frente, Matsumoto parou, juntou as pernas e levantou os braços. Andou mais um pouco e repetiu, mais uma vez, os mesmos movimentos. Isso também contamina! Sem medo de estar sendo assaltado por um bandido ou abordado pela polícia, contaminei-me por inteiro. Fui e voltei do café, juntando as penas e levantando os braços. Que delícia! Agora, nas manhãs do meu amanhecer, também levantarei aos céus, os meus dois braços de João. Tomado em assalto, vou me entregar de vez, viral, para o novo dia.
Canoa furada da eficiência

190 é o número que “se liga” quando há uma emergência. O brasileiro já o conhece: virou algoritmo de rotina. Vez por outra funciona e quase sempre trava. O composto deveria ser de “excelência” igual a 10. Hoje li matéria da FOLHA sobre a MP dos Portos. Fiquei sabendo que um navio estrangeiro que chega ao Brasil precisa de 190 informações para poder atracar. Para exportar “isso” e mais “aquilo”. Seis dias são gastos com documentos para liberar um contêiner. Em Cingapura apenas um dia e nos EUA, dois. Um contêiner no Brasil custa pouco mais do que o dobro que nos portos da Europa. Nota: não adianta ligar para o 190 e reclamar do pacotaço burocrático. Recomendamos ligar direto no 181 do disque denúncia.

26.05.2013

Caro Presidente Bolsonaro
Certeza que esse post não vai chegar até o Senhor. Seria muita pretensão e isso não me cabe. Sou apenas editor, livreiro, gráfico e um ex-conselheiro do MinC, da área de Humanidades, da Lei Rouanet. Estou aqui com os meus Eus e apostando que “alguém” entre os quase 5 mil “amigos” lhe dê o recado que segue: Limitar ao teto máximo de 1 milhão projetos da Lei Rouanet é um ato de total falta de conhecimento da importância que a Lei através da renúncia fiscal tem para bienais (livro e artes), museus, festivais, mostras culturais, orquestras, companhias de dança e teatros. Não sei quem anda “soprando” ventania no seu ouvido. Ou tempestade? Quem colhe planta ou algo assim meio no grito.
Carta aos Expositores

Durante a 22ª Bienal do Livro de São Paulo (9 a 19 de agosto de 2012), no Anhembi, enviei carta aos 400 expositores falando do esgotamento do modelo do evento e da necessidade da feira sair da “caixinha” e ganhar a cidade de São Paulo. A proposta recebeu elogios e ganhou a grande mídia. Hoje lendo a Revista São Paulo (Folha de S. Paulo) encontrei a seguinte matéria sobre a Bienal de Artes: “Bienal espalha arte pela cidade” e uma declaração do curador-chefe Sr. Luís Pérez-Oramas: “Sempre disse que a bienal necessita da cidade, e não o contrário”. Gostaria de ver o mesmo acontecendo com os livros. Na próxima semana apresento o projeto para 20 editores descontentes e para três dos candidatos a prefeitura da cidade.

02.09.2012

Clô Orozco

Fui vizinho da empresária de moda Clô Orozco, na Rua Rio de Janeiro, no bairro de Higienópolis, São Paulo. Sua morte uma perde para todos que conheciam a sua marca inconfundível. Não sabia que suas empresas atravessavam problemas financeiros. Uma tristeza! Esse é o Brasil de hoje que abandonou seus empreendedores, artistas, intelectuais, inventores e cientistas. Hora de propor aos espertos do poder a grife do vale-vida.

29.03.2013

Codinome é coisa de “agente secreto”
Codinome é coisa de “agente secreto” que andava meio fora de uso desde o fim da guerra fria. Agora com a Lava Jato voltou com tudo. Está de Moro! Codinome é a designação que serve para ocultar a identidade de alguém ou para nomear de maneira secreta um plano de ação, uma organização ou quadrilha. Poetando a lista de codinomes na planilha da Odebrecht fiquei “abismado” com a criatividade do time da empreiteira na escolha dos nomes de batismo para o bando de corruptos. Alguns codinomes fazem parte dos versos do poema QUADRILHA do Drummond: Caju amava Belezura, que amava Ferrari, que amava Las Vegas, que amava Balzac, que amava Bitelo, que amava Caranguejo, que amava Mineirinho, que não amava ninguém. Gripado foi para o hospital, Anão para Salvador. Velhinho morreu de dengue, Todo Feio ficou para tio, Comuna suicidou-se e Misericórdia casou-se com Angorá, que não tinha entrado até agora na história da Lava Jato.
Copa do Mundo

Calma Brasil. Hora de serenar os ânimos. Apaziguar o coração humilhado. Perdido. Quase traído. Fomos vencidos pela espada alemã da bola. Gol é assim mesmo: bate na trave e entra. Pena que desta vez não foi um gol dos nossos. Dizem que em 50 foi igual. Luto e tristeza do povo da bola. Hora de abraçar nossas perdas e aprender com a dolorida derrota. Isso também passa Brasil.

08.07.2014

Copyright Act (Ato do Direito de Cópia)
A primeira vez que se tem notícia da utilização do termo copyright data de 1701, na Stationers Company (empresa de fiação da cidade de Londres, da Inglaterra), país que, mais tarde, em 1710, editou o que para muitos estudiosos seria o primeiro texto legal sobre o direito autoral, o chamado  Copyright do Estatuto da Rainha Ana e dizia respeito apenas a livros. (Ana foi a Rainha que uniu em um único estado soberano a Inglaterra e a Escócia, no chamado Reino da Grã-Bretanha). Existem correntes que sujeitam o nascimento do direito de autor à invenção da imprensa na Europa no século XV, criada por Gutemberg. Entretanto, é sabido que muito antes da invenção da imprensa na Europa, a China e a Coréia já contavam com técnicas de impressão e não se pode esquecer que já havia noções de propriedade sobre os trabalhos intelectuais na antiguidade, sobretudo na Roma antiga. No começo do século XIX, muitos Estados já haviam promulgado suas leis sobre direito de autor, sendo somente no final do mesmo século que vários Estados assinaram o primeiro acordo multilateral sobre o assunto: a Convenção de Berna de 1886. Em vigor até hoje, discute e regula as questões ligadas à proteção dos direitos de autor sobre obras literárias, artísticas e científicas, sendo tal tratado o mais importante ponto de referencia do Direito autoral do qual o Brasil é signatário desde 1922.


Das Alavancas
Lembro-me - ainda menino de tudo - do fascínio que foi com um bastão de escoteiro improvisar uma alavanca para mover do solo uma grande pedra. Aventura inútil. Hoje, ainda escoteiro, não usaria bastões para multiplicar forças de remoção. Delicada natureza que se move em roldanas. Vida que se alastra? Içaria do alto o meu próprio dorso. Equilíbrio de mirar de algum lugar o caminho dos bastões de deus.
Das diferenças
Eu as tenho por opção. Por desejo ímpar. Eu as tenho pelos meus atos e valores. Assim eu me julgo e me deixo julgar. Isso explica os meus mundos diferentes, distantes e desiguais. As pessoas que amo, respeito e admiro são e pensam diferentes de mim. Que sorte nos ocupa! São os “olhos” dos meus atritos! Fujo dos iguais. Eles me copiam, imitam o meu comum e até os meus fracassos. Quero os pecados dos atos maduros. O meu viver busca o desigual, a diversidade, a fraqueza, o desafio e a coragem que explode do medo. Das diferenças: quero o que sou.
Das empresas no tempo
Gosto de saber das empresas: do que elas significam, do que elas pensam e principalmente das suas origens. Empresas são criativos de simplicidade de mercado e nada têm de sobrenatural. Não são frutos da genialidade alheia e nem da loucura individual de alguns. Organizações são inventadas e reinventadas pela necessidade, pelo trabalho coletivo e pelo esforço das ideias. Na luta pela eficiência, florescem e outras tantas morrem aos montes, no volume, na variedade e na velocidade das suas próprias atitudes. Não há crescimento e nem inovação no campo dos que trabalham no corpo dos delírios da sorte. A plenitude de uma casa empresarial é o seu próprio sonho de existência e sua capacidade de reinvenção a cada novo tempo.
Das Lutas sem Fim
Das lutas sem fim. Lutas que começam - perpetuam-se - e acabam todos os dias. Não sei o que pesa mais: o cansaço de um dia de luta, a luta em si – que dura o que nos é perpétuo ou o início de todos as lutas do dia. Dúvidas e Eu lá. Certezas e Eu presente. Eu ausente. Eu morte. Eu partido e em pedaços. Luta que Eu não me movimento para essa ou aquela guerra - das tropas do leão - que não são minhas, nem sua e muito menos nossa. Tão nossa das nossas culpas, nossas dívidas. Eu e as perdas, Eu e as demoras. Busco o amanhã e que nele tenha mais de tudo. Insônia. Sangue dos justos. Assim são as lutas pela vida e das vidas sem fim - também lutas - que não acabam nunca. Nunca Eu hoje, nunca Eu ontem, nunca Eu amanhã. 

Das obrigações do Depósito Legal

O Depósito Legal é definido pelo envio de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional, por qualquer meio ou processo. Tem como objetivo assegurar a coleta, a guarda e a difusão da produção intelectual brasileira, visando à preservação e formação da Coleção Memória Nacional. Nele estão inclusas obras de natureza bibliográfica e musical. A primeira instituição e regulamentação do depósito legal biblioteconômico brasileiro foi o decreto imperial de nº 1825, sancionado em 20 de dezembro de 1907, que determinava os administradores de oficinas de topografia, litotipografia, fotografia ou gravura, situadas no Distrito Federal e nos Estados, ficavam obrigados a remeter a Biblioteca Nacional um exemplar de cada obra que produzissem. Na época não existia a figura do editor de livros e a tarefa do depósito legal era de responsabilidade dos proprietários das oficinas gráficas. Monteiro Lobato talvez tenha sido o primeiro editor brasileiro que Imprimiu por conta própria, nas oficinas do jornal “O Estado de S. Paulo”, seu livro Urupês. (1918). Talvez tenha sido também o primeiro distribuidor de livros ao usar o serviço dos agentes postais do Brasil para distribuir seu livro em bancas de jornais, papelarias, armazéns e farmácias, além das 30 livrarias existentes na época.

21.04.2019

Das pedras
Das pedras. Das que estão no caminho. Das que fazem parte do desafio. Das pedras do céu. Das pedras do chão. Grandes, pequenas: grãos. Seriam cometas de luz? Pedras do ventre. Pedras do peito. Pedras do pão. Carregá-las no dorso do corcel, jogá-las na vitrina do sal, afundá-las no rio da morte ou ignorá-las na dor das bocas? Das palavras. Tudo tem hora: até do cuspe. Tudo tem gozo: até do vento. E o que nos assola agora? A poeira nos olhos.
Década da Morte!
Outro dia um amigo escritor com mais de 80 anos me disse: entrei na década da morte! Os números não mentem: quem não morre antes (aqui o obvio ululante) não escapa dela. Poucos e raros vão além. São os felizardos! O que todos pedem: saúde e lucidez! Estou na década das perdas (país, amigos e pessoas próximas). Não é fácil perdê-los. Dói muito. Parece que todo mundo que é interessante está partindo deste mundo. Dona morte: vasta lista de perdas. Driblamos e logo adiante somos driblados. Que graça tem isso? Hoje no bloquinho do Luiz Felipe Pondé: “suspeito que o clímax da humanidade tenha sido o alto paleolítico”. A Dona Morte sabe das coisas. É carnaval.
Do Outro não é a mesma coisa que do Bom
José Mindlin gostava de uma boa “cachaça”. Socialmente bebia uísque. Foi o que me disse em uma viagem de carro que fizemos juntos até Ribeirão Preto, para uma feira literária. Isso ficou gravado na cabeça. Em 1989 - pelo seu amor aos livros - foi escolhido intelectual do ano e merecedor do Prêmio Juca Pato, da UBE. Fabio Lucas, presidente da entidade na época, puxou a fila assinando a lista de 30 nomes para a sua indicação. Fui o segundo. Mindlin foi candidato único e levou a estatueta, merecidamente. No dia da entrega do prêmio, na sede da entidade (Rua 24 de Maio 250, São Paulo/SP) a ideia era servir uísque. Compramos para os convidados uma caixa de Old Eight (doze garrafas) e para o homenageado uma garrafa de Ballantines, oito anos. A guarda da “preciosidade” ficou aos cuidados do Franco, dono do bar que ficava dentro da sede da entidade. O esquema era simples. Na hora H Fábio Lucas chamaria o Franco e diria: Franco, por favor, traga um uísque - do bom - para o Dr. Mindlin. Quando o homenageado chegou - quase em cima da hora - a festa já estava rolando e o Old Eight também. Fábio Lucas então chamou o Franco e pediu: Franco, por favor, traga um uísque - do outro - para o Dr. Mindlin. “Do outro” não é a mesma coisa que “do bom”. A troca deixou o saudoso Franco (que fazia o melhor pastel do pedaço) confuso. Mindlin, educadamente, molhou o bico e fez cara de limão azedo. Baixou o copo e colocou-o de volta na bandeja para espanto de todos: “Melhor não beber agora antes da cerimônia”, disse. Mais tarde, depois do término da solenidade, ficamos sabendo da troca das garrafas. Na verdade Mindlin bicou a opção três de uísque que até então não sabíamos existir no bar do Franco. Era uísque batizado, servido em garrafa de Ballantines, daquelas que nunca acabam. Pobre Mindlin. Logo com ele que tinha em vida o lema de fazer tudo com alegria.  
Dos olhos Seletivos
Dos olhos. Do que neles são seletivos, memórias, escolhas e opções. O escuro cativa e muito. O som de tudo esta além da conta. Parece que o mundo grita. Surdez das orelhas? Assusta pensar que é assim. No ensaio sobre a cegueira (Saramago) escutei pássaros e música. Das memórias: o eu menino, no cerol, danado de tudo. Das escolhas: tudo igual e novo. A vida continua inresistível. Das opções: certeza que a felicidade está dentro das palavras e o poema-sem-fim vive o seu melhor verso. Das travessias: onde estarão tudo e todos? No lugar das escolhas e nas prioridades que mudam sempre.
Em busca de mais Cerol

Fortaleza é luz. Iracema - a filha de Araquém - dorme suas águas aos olhos do mar. Martin e Caubi partiram cedo com a jangada dos peixes, nos primeiros ventos da manhã. Eu, filho dos Tabajaras, espero pelo cardápio do tataravô Alencar. Quero saber dos peixes, das lagostas, dos camarões, da água de coco e principalmente das tapiocas de mel. Estou mais uma vez voltando. Até quando? Não sei.

17.11.2012

Esperança

Calor da Galiléia, calor na casa de Lebeus. Água na boca, no corpo, nos olhos. O veleiro do santuário de São Judas Tadeu ferve reza, orações, lágrimas e dor. Esperança na praça, solidão incomum e mundos. Fé nas medalhinhas: maçã, machadinha e livro no cordão da fé.

29.10.2011

Esse tal de Parmênides
Esse tal de Parmênides é “deveras” interessante. Ele ordena as qualidades (limitado e o ilimitado) dividindo - tudo e sempre - em dois elementos: luz e trevas, positivo e negativo, vida e morte, etc. Parmênides via as mudanças físicas que ocorrem no mundo como uma mistura onde participam o ser e o não ser. Contraste entre a verdade e a aparência. Premonição sobre o hoje? Olha que legal: Pensar sobre nada é não pensar da mesma forma que dizer nada é não dizer. E mais: O ser é e não pode não ser. Fico agora duvidando se de fato existimos no tempo-espaço do cosmo. Cadê o meu René? Deve estar na outra estante ou teria ele sido um “Descartes” de sebo? Ego cogito ergo sum. Volto para as dualidades. Entrei na casa do leitor. E agora? Difícil largar. Uma coisa puxa outra e mais outra. Tudo alfinim. Quem lembrar "dele" um dia foi criança. Será que Parmênides um dia comeu do doce. Não pode não ser!
Eu e meus Botões de Osso
Eu aqui com os meus botões de palavras. O que terá acontecido no reino das abotoadeiras que eram rosas? Outra voz veio e fez parceria de canto. As casinhas da blusa se fecharam em nós e os prontos para o baile perderam a derradeira dança do amor.  

Eu não sabia Jamais!

Dor de cabeça que não passa agora tem nome: Rosemary. Lula disse através de sua assessoria que não faria comentários sobre assuntos particulares. Particulares? Um homem público no posto de presidente da república deve e se obriga a explicar à nação o que a moça andava fazendo em suas viagens mundo afora. Baton na cueca é pior do que dizer que - mais uma vez - não sabia de nada. No mínimo devolver aos cofres públicos o dinheiro das mil e uma noites. Cara de pau!

01.12.2012

Fogo de Palavras
Nosso amado Museu da Língua Portuguesa: nós povo, amantes da língua, nós leitores, escritores, poetas, músicos, artistas, gráficos, professores, editores, livreiros, nós alunos, grafiteiros, jornalistas, nós crianças, acadêmicos, museólogos, teólogos, nós filósofos, linguistas, nós gente, vamos reedificá-lo, refazê-lo, reerguê-lo, reorganizá-lo, reestruturá-lo que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure!
Foi de arrepiar!

Quem são os “poucos” e os “vândalos” que assolam o que é justo e de direito? Hora de identificá-los e prendê-los na forma da lei. O povo quer o que lhes foi prometido: educação, saúde, moradia, transporte e segurança. Não podemos macular o que é puro, belo e valioso na ideologia do coração. O povo brasileiro “acelerou-se” e cantou com amor o seu belíssimo hino. Futebol também têm dessas surpresas. Foi de arrepiar. Nada - ainda - está perdido na Terra dos Canarinhos.

23.06.2013

Gostei de Saber da Sorte
Sempre gostei de saber da sorte. Minha, dos outros, de alguém que um dia ganhou alguma coisa. Sou um comprador de bilhetes dos “bichos” leão e borboleta, e um disciplinado jogador da MEGA. Adoro rifas, bingos e roletas. Tenho até um número da sorte: o preto 17. Hoje continuo lendo na mídia sobre “as fraudes” na CEF. Nada contra Itapipoca, Serra da Saudade, Borá, Araguainha, Chapada de Areia e Parari. Cidades sortudas! São Paulo, que representa mais da metade das apostas nas loterias, no jogo das bolinhas e das probabilidades, continua de azar dos infernos.  “De graça até injeção na testa” parece ser o slogan dos aloprados da sorte grande!
História em Discursos
Em “História em Discursos” de Marco Antonio Villa (Editora Planeta), resposta de um antigo sábio Asteca três anos após a conquista do Império Asteca pelos espanhóis: “Somos gente simples, somos perecíveis, somos mortais, deixai-nos, pois, morrer, deixai-nos perecer, pois nossos deuses já estão mortos. Nós sabemos aquém se deve a vida, a quem se deve o nascer, a quem de deve o gerar, a quem se deve o crescer, como se deve invocar, como se deve rogar.”
História pra boi dormir sobre o LIVRO
O povo sumério que adorava brincar com argila inventaram o livro, isso por volta do ano de 3.200 A.C. na Mesopotâmia, atual Iraque. Publicavam “poesia” e vez por outra, leis, assuntos administrativos e religiosos. Isso explica a grande quantidade de poetas mundo afora. É sabido que poeta é voador, nômade de versos e um inquieto. Foi pensando na portabilidade e na convergência das coisas por um produto essencialmente “portátil” que inventaram o papiro (obtido a partir de uma planta egípcia) e o pergaminho (do couro de animais). O papel chegou à Europa, trazido da China, por mercadores árabes no século 12. Os livros até então eram manuscritos, copiados por monges analfabetos. Um exemplar levar até mais de um ano para ficar pronto. Foi quando alguns poetas se revoltaram e se tornaram gráficos, editores e livreiros. Gutemberg foi o primeiro, isso no ano da graça de 1450. Não satisfeito com o tempo gasto para produzir suas edições inventou a prensa e os tipos móveis. A primeira obra impressa por ele foi a Bíblia que, em pouco tempo, o levou a falência.
João Carlos Marinho no Abafo
Mais uma perda no mundo das letrinhas: João Carlos Marinho, autor da obra "O Gênio do Crime" que completou 50 anos em 2019 com mais de um milhão de exemplares vendidos. Devo minha paixão por álbuns de “figurinhas” ao Rei Pelé e ao detetive Bolacha. João e Pelé são figurinhas carimbadas e valem tudo no jogo do abafo. 
Leite é vida

Leite materno não mata! O moço disse diante da tragédia: “Minha mãe não estudou, não sabe ler e enxerga muito pouco. Mesmo assim sabe dar um remédio, aplicar uma injeção e ainda cuidar dos filhos.” Não dá para aceitar uma enfermeira injetar leite materno em um recém-nascido e dizer que se enganou. Improbidade humana.

10.11.2011

Lendo 1942 do João Barone

Um dia eu tive 21 anos. Alguns duvidam disso. A vida é assim mesmo: “Desleal e desumana”.  Palavras do meu saudoso pai Luiz Gonzaga. Ele costumava dizer: “Não adianta comprar um canivete. O inimigo carrega um facão”. Estou lendo o livro “1942” do João Barone, rebelde baterista dos incríveis “Paralamas do Sucesso”. Doce saber do seu pai “João Silva”, pracinha brasileiro que lutou na II Guerra Mundial. Meu pai Luiz foi do Pelotão Sampaio. Chegou até a embarcar em um navio americano, mas o cascudo não zarpou. A guerra havia acabado! Minha avó Sarah - da promessa feita pela vida do seu filho Luiz - foi então resgatar na paróquia o anel com brilhante entregue ao padre. Voltou de mãos vazias. Hoje, “quase aos 60” compreendo o real significa da máxima “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Morrendo e aprendendo! 

12.01.2014

Linda Palma e Marcos Rey
Conheci Marcos Rey (Edmundo Donato) nos anos 80. Ficamos amigos e sempre que possível, nos encontrávamos nas noites literárias da pauliceia desvairada. Sabíamos da sua doença (hanseníase), mas o assunto era intocável. Foi paralisia infantil? Alguém um dia lhe perguntou. Ele balançou a cabeça – de sim e de não: e sorriu. Era de um bom humor invejável. Estava sempre sorrindo. Por um bom tempo frequentamos a UBE e trabalhamos juntos na indicação de nomes para o Prêmio Juca Pato (Intelectual do Ano). Marcos Rey morreu e 99 e até hoje seus livros são sucessos de venda. 
Hoje fiquei sabendo pela FOLHA do falecimento da Palma (Linda Palma Bevilacqua Donato) viúva do Marcos Rey, aos 90 anos. Palma era o anjo da guarda de Marcos. Estavam sempre juntos. Inteligente e de um coração maravilhoso. Gostava de livros e era uma leitora voraz. Nos anos 2000, depois da morte do Marcos, me ligou perguntando sobre publicação de livro. Estava escrevendo suas memórias. Eu lhe disse: traga que eu publico! “Não está pronto. Estou ainda colocando a vida no papel”, respondeu. Depois fiquei sabendo que teve um grave AVC e o tempo passou. Não sei se concluiu ou não o livro. Vou procurar saber!
Mãe Nilce das seis da tarde

Querida Mãe Nilce: algo toca e nos abraça sempre que a vida marca mais um tempo das seis da tarde. Foi assim, quase sempre, nos nossos últimos anos de separação. Não há mais os sinos e nem as orações pela graça de Maria. A vida é veloz. Tudo ficou no passado antigo, no corpo ausente e no silêncio da perda. Naquela hora do entardecer, ainda me pergunto do carinho, ao escutar a sua inconfundível voz: “João, aqui é a Mamãe” como se eu não soubesse que era ela - eterno amor de mãe -, e ela - que era a voz presente do seu filho caçula.

12.05.2012

Mãe o que é Golden Shower?
Mãe o que é golden shower? Não sei filha. Onde você viu isso? No twiter do Bolsonaro. Pergunta para o teu Pai ou vê no Google! Pai o que quer dizer golden shower? Não sei filha. Vê no Google. Mãe quer dizer chuveiro dourado. Chuveiro dourado? E o que significa? Aqui tá dizendo que é quando um parceiro no ato sexual urina na cara do outro. Deve ser engano filha. É não. Tá bombando! Filha deixa de firula e pergunta logo para o presidente. Não foi no twiter dele que você viu isso? Foi. Mãe o Bolsonaro também não sabe. Tá devolvendo a pergunta. O que falo pra ele? Fala qualquer coisa. Diz que é o mesmo que mijar na cara do povo.
Mario Capelo
Hoje às 7h45 perdemos o queridíssimo Mario Capelo. Eu o amava. Foi o tio “maluco” mais lúcido da minha vida. Admirava suas ideias, invenções, maluquices, acrobacias e aventuras. Foi em vida o melhor amigo do meu Pai Luiz Gonzaga. Juntos eram imbatíveis! Para quem não o conheceu em vida diria que era uma mistura perigosa de Christopher Lloyd, Indiana Jones e o professor Pardal. Quem me conhece com o coração (Caetano Veloso: De perto, ninguém é normal) sabe do respeito e carinho que tenho pelos criativos, os doidos de pedra, os malucos do céu, os agitados do mar, hiperativos e tripolares do universo. Deus sabe que o mundo é deles! Mestre Capelo agora nas acrobacias de Fernão Capelo Gaivota. 
Marolas

Malefactus! Malefactus! O Brasil agora é a 6ª economia do mundo. Marola para inglês do B ver. “Aquilo que não é feito com perfeição” atende pelo nome de SUS. Alô Gaia: agora somos 7 bilhões. O domingo de catapultas promete. Vou almoçar uma “roubada” na Tia Dilma. Vou de Varig.

30.10.2011

Método Fônico de Alfabetização
Fui alfabetizado pelo método fônico de alfabetização. Lembro-me da minha cartilha de ABC e da admiração que tinha pela letra Z, que mostrava uma zebra. Nele aprende-se primeiro o som de cada letra e depois a mistura deles até alcançar a pronuncia completa da palavra. Hoje estava lendo sobre outros métodos de alfabetização conhecidos como “construtivistas”. Os métodos construtivistas partem das frases que se examinam e se comparam para, no processo de dedução, o alfabetizando encontrar palavras idênticas, sílabas parecidas e discriminar os signos gráficos do sistema alfabético. Sorte que eu “nasci analfabeto” e adorava brincar com aquele joguinho de encontrar o par certo. Foi assim que descobri que “zebra” não é “jumento” e “macaco” não é “leão”. Ops! Lembrei. Hora de terminar e entregar minha declaração de imposto de renda.
Meu Pedal dói
Meu pedal dói. Faz parte. Aproveito o desafio para navegar outras trilhas. Algumas estão novas e são desafiadoras. Outras não. São antigas e foram bastante pisadas por mim e por outros. Caminhar na mesma vontade não significa repetir ventos. O dia é outro. Adiante subo na bike e refaço o aro das outras distâncias. Quem me ama ensina sempre. E eu, desavisado de tudo, continuo no destino de mim mesmo. Quando falo com o coração a opção é escutar o eco das vontades. No momento estou encolhido de liberdades. Em algum lugar estou veloz e isso me basta de calmaria. Eu acredito sempre! 
Na velocidade de um velocípede

Em 1982 tornei-me editor para publicar livros. Era jovem e acreditava que com isso resolveria de vez todos os imbróglios do vasto e maravilhoso mundo “das letrinhas”. Enganei-me. Em 1986 abri uma gráfica, hoje digital. Imprimir passou a ser - por um bom tempo - o negócio. Enganei-me. Abri uma livraria e em seguida uma “logística” para vender e comercializar mais livros. Enganei-me. Em 2003, abri a Escola do Escritor. Queria trabalhar com a formação de autores e em especial profissionais do mercado de livros. Enganei-me. Criei os selos Fábrica de Livros (pequenas tiragens) e Pingo de Letra (infantil) e agora, para o início de 2014, o Espaço Scortecci, endereço para cursos, palestras, oficinas literárias e lançamento de livros. Com certeza mais um engano. O ano de 2014 ainda nem começou e eu já estou pensando no que vou “me enganar” para 2015.

08.12.2013

O "mau" gosto da Globo

A casa caiu: será? Até quando a Globo vai “bancar” o mau gosto do BBB. Pior que o “evento” são as chamadas onde telespectadores fofoqueiros opinam sobre quem deve ficar ou sair do prostíbulo global. Quem vai para o paredão? Isso eu não sei. Há quem diga que a audiência do plim plim anda em queda livre. Na asa delta dos reality show o poeta Bial declama o seu último dos seus poemas: o corvo!

22.01.2012

O dia certo é só amanhã!

A vida não existe sem chocolate! É a manchete da matéria sobre "ovos de páscoa". Diz que diminui o estresse, acalma os nervos, funciona como antiinflamatório, melhora o humor, aumenta o nosso tempo de vida, previne derrames, turbina os músculos e um monte de outras coisas. Não duvido da "bondade" e nem das "propriedades" do chocolate. Pergunta: o que faço com o ovo gigante de chocolate que me olha do alto da estante da sala? Odeio véspera de tudo. Não serve nem pra morrer!

06.04.2012

O educador educa
“O educador educa” e a ele cabe ensinar o aluno a questionar, ter raciocino lógico, senso critico, educação e respeito e mais: ensinar a importância do contraditório e das diferenças que compõem direitos e deveres de um indivíduo. Tenho acompanhado de perto (ossos do ofício) toda essa confusão que tomou conta do Ministério da Educação. É notória a falta de experiência pública do ministro e o quanto interferências externas estão prejudicando sua gestão. Deve cair em breve, se é que já não caiu, faltando “apenas” a escolha de um novo nome para a pasta que agrade “deus e o mundo”. Hoje lendo entrevista do Mozart Neves Ramos, FOLHA, ele tocou em dois pontos cruciais e importantes: autonomia e continuidade (reconhecimento às boas políticas). O Brasil não é muito bom nisso e sempre que muda um governo costuma praticar o “apaga tudo que nada presta”. Perde-se tempo e energia para mais tarde - meses depois - ver o mesmo projeto “renascer” mudando apenas de nome ou sigla (redução de um intitulativo complexo). Essa história de trocar a aliança de mão ou colocá-la de vez na gaveta me faz lembrar o “golpe das tampinhas” aquela brincadeira-crime de movimentar as peças e esconder a bolinha da vez.
O livro nos chama

O livro nos chama - alguns até pelo nome - sussurram “feitiço” e nos carregam pra longe. Não nos devolvem iguais. Ler nos transforma em viajantes do tempo. Algumas letrinhas dizem muito e outras dizem tudo. As que não dizem nada - é o momento - são infinitos que ainda não brotaram e aguardam seus dias de sol. Lá adiante terão sentido. Serão razões em nossas vidas. Não há silêncio no grito do papel deflorado no ato da leitura: abra-me em abracadabras, doe-me em dobraduras! Encantamento. Amuleto muito além do jardim. 

21.07.2013

O Ovo ou a Galinha
Se o nada absoluto tivesse existido não haveria nada além dele. Se o nada absoluto nunca existiu, ainda existiria. Se o nada absoluto nunca existiu, isso significa que sempre houve um tempo em que pelo menos alguma coisa sempre existiu. Qual seria essa “coisa” que teria sempre existido? Seria mais do que só alguma coisa ou apenas uma? Com que se pareceria essa tal coisa? Alguma coisa no começo de tudo sempre será soberana em relação à outra coisa que ela produzir. A alguma coisa existe por si só. A outra coisa, porém, precisa de alguma coisa para existir. É, portanto, inferior a alguma coisa, e sempre será assim, porque a alguma coisa eterna não precisa de nada. A alguma coisa é capaz de produzir outra coisa que seja semelhante a ela em alguns aspectos, mas – não importa o quê – outra coisa será sempre diferente dela em outros aspectos. A alguma coisa eterna sempre será soberana considerando o tempo e o poder. Desta forma, alguma coisa eterna não pode produzir um exemplar igual a ela mesma. Ela sozinha, sempre existiu. E sozinha pode existir independente de outras coisas. 
O papel branco da mentira

Diante de uma folha de jornal em branco a Folha de S. Paulo escreve a sua manchete de hoje: 1º de Abril, Dia da Mentira! No rodapé o slogan: "Folha. Nada além da verdade." A lembrança da imensidão no branco do poema de Quintana ocupou-se de mim. Desavisado de tudo escrevi uma frase da cabeça do mestre de Alegrete: A poesia não se entrega a quem a define! O branco não mente jamais!

01.04.2012

O Poeta Morreu
Fiquei sabendo que o “poeta” desconhecido morreu. Era jovem e triste. Não tinha ainda completado o gozo de quarenta primaveras. Adorava cheiros. Todos! Fui seu primeiro leitor crítico. Ele era o moço do verso: “até tudo é nada”. Seu corpo magro foi cremado e suas cinzas – provavelmente - depositadas na vala do pote único. Estou agora procurando em algum lugar do disco rígido os seus últimos versos. Eu os guardei! Onde? Busco outonos ou invernos? Será que nos perdemos - infinitamente - um do outro? Até tudo é nada.

Olivetti Lettera 32
No último dia 12 de março de 2019 a web completou 30 anos. Timothy John Berners-Lee (físico britânico, cientista da computação e professor do MIT, hoje com 63 anos) abriu mão da patente de sua invenção. Foi também o criador do primeiro site com apenas alguns parágrafos sobre o seu projeto: “Dar acesso universal a um grande universo de documentos”. Ainda está lá igual no seu formato original: http://info.cern.ch. Isso me fez lembrar o dia que compramos o nosso primeiro computador para a Scortecci. Ele durou exatos cinco dias. Eu “brutalmente” o joguei pela janela de um sobrado que tínhamos na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros. Junto com a máquina e um manual em inglês, veio os serviços de uma moça nerd. Eficiente, em pouco tempo formatou e salvou em um disque bolacha o modelo de contrato da editora para publicação de livros. O grande desafio seria usá-lo no dia seguinte, para então fecharmos o nosso primeiro contrato da nova era. O autor “escolhido” para o grande dia (José de Carvalho, português, já falecido) acabou se atrasando. A reunião estava marcada para as 16h30 e o vate deu o ar da graça somente às 17h45. Naquela época não existia fax, whatsapp e nem celular. E vivíamos bem! O telefone fixo da editora era um LP, linha particular puxada de um vizinho. Foi o José de Carvalho entrar na editora que a moça desligou o computador. Eu gritei: Não! Calma. Temos um contrato para assinar, lembra? Ela sorriu e me disse: está na minha hora. Tenho que ir. E o contrato? Você não pode fazer isso agora comigo me abandonando assim... Posso e vou, respondeu. E disse mais: vocês empresários agora precisam de nós pra tudo. Os tempos são outros! Pegou a bolsa e saiu. Eu gritei e disse: você está enganada. Você está muito enganada! Vou lhe mostrar que não preciso de você. Abri a janela do sobrado e joguei do alto no meio da rua o computador e a impressora. Você é louco! Você é louco! Saiu escada abaixo gritando: Você é louco! Olhei pela janela e vi lá embaixo o estrago e o povo todo olhando pra cima. José de Carvalho, que havia presenciado tudo em profundo silêncio me olhou, sorriu e disse: Pois, pois. Vamos lá meu jovem? Saquei do armário minha Olivetti Lettera 32 (antes lhe pedi perdão!) e fechei o contrato de edição do livro. Eu não era até então um louco. Hoje tenho certeza que sim.

Papuda é melhor que cachaça ruim

“Papuda” em algum lugar do popular significa pessoa do sexo feminino que conta muito “papo” furado, vantagens, conversa pra boi dormir. No pai dos burros, significa cachaça artesanal, de má qualidade, geralmente feita com água e álcool. No GPS da casa da mãe joana, aponta para o Complexo Penitenciário da Papuda, na região de São Sebastião, no Distrito Federal, às margens da estrada que liga a capital federal, Brasília, ao município mineiro de Unaí. Isso prova o quanto a nossa língua é oportuna e cativa. Dizem que lá na "Papuda" as visitas são brevidades e não duram mais do que o efeito de uma cachaça ruim. Gente papuda! Tudo de conversa fiada pra boi dormir.

24.11.201

Pratos exóticos, impróprios, explosivos!

Antônio Houaiss morreu em 99. Um “crânio” brilhante. Gostava de contar “causos gastronômicos” e quando o fazia usava toda a maestria de um filólogo gourmet. Nos anos 80 - Eu, Houaiss e Enio Squeff - combinamos de comer uma “pasta” no Restaurante Gigetto. O Mestre Houaiss adorava pratos exóticos, impróprios, explosivos, quase mortais. Perguntei: - Qual de todos os pratos lhe foi mais difícil comer? Houaiss nos surpreendeu respondendo de pronto: - cérebro de macaquinho vivo! Depois, sem pressa, fatiou-nos com sabedoria e inteligência sua cerebral aventura. Confesso: Houaiss falando me abriu o apetite. Tarde da noite, o restaurante esvaziou-se e, teve que fechar. Já era hora de partir. Lá fora acontecia apenas uma prévia alvorada. Mestre Houaiss nunca mais se repetiu na minha vida. Foi quase uma despedida.

10.03.2013

Quando um amigo de infância nos esquece

Vez por outra - basta uma faísca de olho, cheiro, gosto e prazer - lembramo-nos de alguém. Onde será que anda fulano: vivo ou morto? Hoje brincar de busca até que é fácil e bem divertido. Outro dia encontrei um “galego do mau” garoto estúpido da minha cruel e doce infância no Ceará. Gostava dele. Fiz contato e ele me passou o número do seu celular. Liguei no ato da emoção. Que azedo foi saber que ali nada mais existia de nós. Em segundos percebi que nunca deveria ter voltado no nosso tempo. O limão agora era um corvo inerte, sem asas. Lembrei, lembrei e muito falei até resfolegar o silêncio. Nada o fez voar. Nem do chão saiu. Ele havia se esquecido de tudo: até dos melhores pecados da nossa infância pervertida! Desliguei-me de todas as lembranças. Perdi o rastilho de pólvora. O pirralho era até então o melhor dos meus exemplos de traquinagens, safadices e afins. Em algum lugar do passado ele deixou de ser um “gauche na vida”.

25.08.2013

Relendo papel antigo

Relendo anotações de rabisco encontrei versos de rodapé. Na época beiravam páginas e final de capítulo. Um livro assim não se vai. Não se despede nunca da vida. Na verdade fica de amor e suas lembranças pontuando histórias. Algumas letras foram borradas de dor e outras molhadas de água e sal. Alguns “aloegos” são do tempo passado de antigamente e outros oportunos: presentes inteiros dentro do hoje. Minhas parábolas são curvas de rodapé, beiradas de papel, palavras escritas em um pequeno corpo poético.

14.08.2013

Rolhas são rolhas
Rolhas são rolhas. Boiam em águas de sonhos e mar. Rolhas colecionadas, guardadas, lembradas de momentos especiais. Rolhas boias, rolhas navios, rolhas navegantes...Depois desta foto terei por elas – no corpo – o ato do inesquecível. Elas serão doravante embebidas no copo dos meus encontros.
Esquecê-las? Jamais. Agora tudo ficou diferente ou não? 

Ruga
“Ruga” é caminho. Direito de ir e vir. Bom pra gente, pra cachorro e até pra brincar de poste e ficar olhando o mundo dos outros. Rua é sorvete de limão, corrida de rua, beijo na boca, esbarrões, olhares, desejo, sorte de tudo que é vida, que passa indo e vindo. Rua é passarinho: voa destino, voa passos, voa lembranças. Nela tudo acontece: dia e noite. Rua é janela aberta, jardineira de margaridas, luz que se apaga, porta que bate com o vento, criança que chora, sacolas pra lá e pra cá, travessia. Hoje foi assim, diferente de tudo: esbarrei com um encontrão. Então, acordei. Não havia percebido que estava “rugando” rua acima, rua abaixo, perdidamente dentro de mim. 
São Paulo Sitiada ?
Não sou engenheiro e nem arquiteto urbanista. Quem me conhece sabe que fujo de obras, consertos e reformas. Conheci Niemeyer por acaso e desde criança tinha apenas uma certeza quanto a minha profissão: não seria um engenheiro! A cidade de São Paulo é conhecida pelo seu grande número de viadutos, pontes e túneis. Em 2012 (data da última vistoria) foram identificados 571 deles com problemas. Até hoje nada ou quase nada foi feito. A situação é de risco e colapso. Olhando o mapa da cidade, hoje com 22 milhões de habitantes, temos a FEPASA com suas quatro grandes ramificações, os rios Tietê e Pinheiros e as represas Billings, Guarapiranga e Riacho Grande. Para entrar, sair e circular na Cidade depende-se de viadutos, pontes e túneis. Dois deles (Ponte de acesso à Dutra e o “sem nome” da Marginal do Rio Pinheiros) foram interditados. Até para acessar o Rodoanel Mário Covas e dar um rolê pela metrópole, depende-se dos viadutos, pontes e túneis. São Paulo sitiada? É o que parece.
São Silvestre

Hoje fiz a minha inscrição na Corrida Internacional de São Silvestre, que chega a sua 90ª edição. Estou realizando um sonho antigo, de 40 anos. Cheguei em São Paulo em fevereiro de 1972 e minha paixão pela prova de rua foi “avassaladora”. No coração valente as palavras do jornalista Cásper Líbero, idealizador da prova: “Felizes são os homens que conseguem ver o mundo de uma forma diferente”. Façamos assim!

12.11.2014

Silogismo
Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Portanto, Sócrates é mortal. Foi assim que me apaixonei por Lógica Menor. Ganhei um livro sobre raciocínios por indução no final dos anos 90. Não me recordo do nome do autor (isso é grave) e nem sei onde foi parar o meu exemplar (mais grave ainda). Lógica Menor é a arte que dirige o próprio ato da razão. Sobre a proposição: as duas primeiras se dá o nome de premissas, à última, conclusão. Ao conjunto das três, dá-se o nome de silogismo. Neste silogismo notamos três elementos: homem, mortal e Sócrates. Se eliminarmos 'homem' das duas premissas, ficamos apenas com dois elementos: 'Sócrates' e 'mortal', elementos estes que aparecem na conclusão. Na construção da conclusão há, assim, um processo de eliminação: Sócrates é mortal. Um silogismo (vale conhecer as suas oito regras básicas) tem duas qualidades: forma e conteúdo. Pela sua forma, ele pode ser correto ou incorreto; pelo seu conteúdo, a conclusão pode ser verdadeira ou falsa. Tô aqui me matando para montar um silogismo sobre “fake news” quanto a forma (correto ou incorreto) e o conteúdo (verdadeira ou falsa). Isso seria um ato de cultura criativa?
Sobre a morte do poeta Manoel de Barros

Wenceslau - aquele do livro sobre nada - morreu. Não o conhecia pessoalmente. Mais um descuido literário, de tantos. Resta-me oportunamente: relê-lo. Os bons poetas são espertos: gostam de nos provocar até com suas palavras de morte! Isso explica parte do meu amor pelos livros. Morrem e não vão embora: ficam ali disponíveis na estante, nos chamando, nos escolhendo, nos marcando com os olhos, nos azarando com suas asas de anjo. Quando Drummond morreu reli sua obra de pronto. Fiz o mesmo com Vinícius e João Cabral. Agora morto, Wenceslau virou mais um passarinho no céu das letrinhas de luz. Na terra do seu deus adotou o nome de manoel-de-barro. Um forneiro de versos sobre tudo que é belo nesta vida.

15.11.2014

Stevie Wonder no Brasil

Stevie Wonder é do céu. Um deus incomum. Catou a sua gaita e foi tocar em frente a uma confeitaria, Asa Sul de Brasília, com um saxofonista de rua de nome João Filho. Foi emocionante! Por alguns segundos fiquei morrendo de inveja do anjo. Tocaram “Garota de Ipanema”. Provavelmente a pedido do Mestre Jobim, guiados pelo deus cometa: responsável pelo universo solidário de um momento único.

15.12.2013

Tempos Trágicos!
Tempos trágicos! Acordei pensando na vida e nas dualidades da insustentável leveza do ser (Milan Kundera, 1984). Das dualidades fui para os versos de Parmênides. Interessante o caminho imaginário que o levou até a morada da deusa da justiça e ao coração da verdade. E o que a razão nos diz? Volto e releio sobre metafísica dedutiva. Abro o jornal e leio sobre cultura criativa e futebol. Tempos difíceis! Volto para Parmênides e realinho os pensamentos: ou algo existe ou algo não existe. Se é possível pensar em algo, esse algo pode existir. Nada não pode existir. Doxa! Doxa! Das dualidades chego até caminho da opinião: sobre a qual não podemos ter nenhuma certeza. A dualidade continua. Ou seria algo mais simples como dúvida ou até mesmo uma ressaca? Nego-me ir até Platão, Aristóteles e outros. Encontro algo que me conforta: a filosofia de Parmênides se apresenta como um contraste entre a verdade e a aparência. Ficamos assim e assim está bom.
Travessia
Eu me vou em travessias! Memórias. Nelas sou viajante do tempo astral e das verdades do corpo de almas. Meu espírito carrega sopro de estrelas de luz,
linhagens de vidas. Em algum lugar do amanhã: os destinos! O único. O momento passado do agora que não tarda no ano que se finda. É sempre assim que tudo acontece. Meus finitos! Meus segredos de noite de ano novo.
Um achado de Clarice

Um achado! Hoje comprei de um colecionador do interior de São Paulo a coleção completa e encadernada, desde o número 1, da Revista PAN (Semanário de Cultura Mundial, no formato 24 x 32 cm, que circulou no Brasil de 1935 até 1940, totalizando 241 edições) do editor José Scortecci, meu avô materno. Foi na edição de 25 de maio de 1940 que Clarice Lispector publicou o conto “Triunfo”, considerado por especialistas o seu texto de estreia na literatura brasileira. Mistérios fazem da Revista PAN um achado do jornalismo brasileiro.

28.06.2013

Vez por outra um gauche na vida
Vez por outra - basta uma faísca de olho, cheiro, gosto e prazer - lembramo-nos de alguém. Onde será que anda fulano: vivo ou morto? Hoje brincar de busca até que é fácil e bem divertido. Outro dia encontrei um “galego do mau” garoto estúpido da minha cruel e doce infância no Ceará. Gostava dele. Fiz contato e ele me passou o número do seu celular. Liguei no ato da emoção. Que azedo foi saber que ali nada mais existia de nós. Em segundos percebi que nunca deveria ter voltado no nosso tempo. O limão agora era um corvo inerte, sem asas. Lembrei, lembrei e muito falei até resfolegar o silêncio. Nada o fez voar. Nem do chão saiu. Ele havia se esquecido de tudo: até dos melhores pecados da nossa infância pervertida! Desliguei-me de todas as lembranças. Perdi o rastilho de pólvora. O pirralho era até então o melhor dos meus exemplos de traquinagens, safadezas e afins. Em algum lugar do passado ele deixou de ser um “gauche na vida”.