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Sobre a morte do poeta Manoel de Barros

Wenceslau - aquele do livro sobre nada - morreu. Não o conhecia pessoalmente. Mais um descuido literário, de tantos. Resta-me oportunamente: relê-lo. Os bons poetas são espertos: gostam de nos provocar até com suas palavras de morte! Isso explica parte do meu amor pelos livros. Morrem e não vão embora: ficam ali disponíveis na estante, nos chamando, nos escolhendo, nos marcando com os olhos, nos azarando com suas asas de anjo. Quando Drummond morreu reli sua obra de pronto. Fiz o mesmo com Vinícius e João Cabral. Agora morto, Wenceslau virou mais um passarinho no céu das letrinhas de luz. Na terra do seu deus adotou o nome de manoel-de-barro. Um forneiro de versos sobre tudo que é belo nesta vida.

15.11.2014

Esperança

Calor da Galiléia, calor na casa de Lebeus. Água na boca, no corpo, nos olhos. O veleiro do santuário de São Judas Tadeu ferve reza, orações, lágrimas e dor. Esperança na praça, solidão incomum e mundos. Fé nas medalhinhas: maçã, machadinha e livro no cordão da fé.

29.10.2011

Marolas

Malefactus! Malefactus! O Brasil agora é a 6ª economia do mundo. Marola para inglês do B ver. “Aquilo que não é feito com perfeição” atende pelo nome de SUS. Alô Gaia: agora somos 7 bilhões. O domingo de catapultas promete. Vou almoçar uma “roubada” na Tia Dilma. Vou de Varig.

30.10.2011

Leite é vida

Leite materno não mata! O moço disse diante da tragédia: “Minha mãe não estudou, não sabe ler e enxerga muito pouco. Mesmo assim sabe dar um remédio, aplicar uma injeção e ainda cuidar dos filhos.” Não dá para aceitar uma enfermeira injetar leite materno em um recém-nascido e dizer que se enganou. Improbidade humana.

10.11.2011

O "mau" gosto da Globo

A casa caiu: será? Até quando a Globo vai “bancar” o mau gosto do BBB. Pior que o “evento” são as chamadas onde telespectadores fofoqueiros opinam sobre quem deve ficar ou sair do prostíbulo global. Quem vai para o paredão? Isso eu não sei. Há quem diga que a audiência do plim plim anda em queda livre. Na asa delta dos reality show o poeta Bial declama o seu último dos seus poemas: o corvo!

22.01.2012

O papel branco da mentira

Diante de uma folha de jornal em branco a Folha de S. Paulo escreve a sua manchete de hoje: 1º de Abril, Dia da Mentira! No rodapé o slogan: "Folha. Nada além da verdade." A lembrança da imensidão no branco do poema de Quintana ocupou-se de mim. Desavisado de tudo escrevi uma frase da cabeça do mestre de Alegrete: A poesia não se entrega a quem a define! O branco não mente jamais!

01.04.2012

O dia certo é só amanhã!

A vida não existe sem chocolate! É a manchete da matéria sobre "ovos de páscoa". Diz que diminui o estresse, acalma os nervos, funciona como antiinflamatório, melhora o humor, aumenta o nosso tempo de vida, previne derrames, turbina os músculos e um monte de outras coisas. Não duvido da "bondade" e nem das "propriedades" do chocolate. Pergunta: o que faço com o ovo gigante de chocolate que me olha do alto da estante da sala? Odeio véspera de tudo. Não serve nem pra morrer!

06.04.2012

Mãe Nilce das seis da tarde

Querida Mãe Nilce: algo toca e nos abraça sempre que a vida marca mais um tempo das seis da tarde. Foi assim, quase sempre, nos nossos últimos anos de separação. Não há mais os sinos e nem as orações pela graça de Maria. A vida é veloz. Tudo ficou no passado antigo, no corpo ausente e no silêncio da perda. Naquela hora do entardecer, ainda me pergunto do carinho, ao escutar a sua inconfundível voz: “João, aqui é a Mamãe” como se eu não soubesse que era ela - eterno amor de mãe -, e ela - que era a voz presente do seu filho caçula.

12.05.2012

Carta aos Expositores

Durante a 22ª Bienal do Livro de São Paulo (9 a 19 de agosto de 2012), no Anhembi, enviei carta aos 400 expositores falando do esgotamento do modelo do evento e da necessidade da feira sair da “caixinha” e ganhar a cidade de São Paulo. A proposta recebeu elogios e ganhou a grande mídia. Hoje lendo a Revista São Paulo (Folha de S. Paulo) encontrei a seguinte matéria sobre a Bienal de Artes: “Bienal espalha arte pela cidade” e uma declaração do curador-chefe Sr. Luís Pérez-Oramas: “Sempre disse que a bienal necessita da cidade, e não o contrário”. Gostaria de ver o mesmo acontecendo com os livros. Na próxima semana apresento o projeto para 20 editores descontentes e para três dos candidatos a prefeitura da cidade.

02.09.2012

Em busca de mais Cerol

Fortaleza é luz. Iracema - a filha de Araquém - dorme suas águas aos olhos do mar. Martin e Caubi partiram cedo com a jangada dos peixes, nos primeiros ventos da manhã. Eu, filho dos Tabajaras, espero pelo cardápio do tataravô Alencar. Quero saber dos peixes, das lagostas, dos camarões, da água de coco e principalmente das tapiocas de mel. Estou mais uma vez voltando. Até quando? Não sei.

17.11.2012

Eu não sabia Jamais!

Dor de cabeça que não passa agora tem nome: Rosemary. Lula disse através de sua assessoria que não faria comentários sobre assuntos particulares. Particulares? Um homem público no posto de presidente da república deve e se obriga a explicar à nação o que a moça andava fazendo em suas viagens mundo afora. Baton na cueca é pior do que dizer que - mais uma vez - não sabia de nada. No mínimo devolver aos cofres públicos o dinheiro das mil e uma noites. Cara de pau!

01.12.2012

As babás do meu Cerol

Quando criança - lá no Ceará dos anos 60 - na hora de dormir, Eu e meus Irmãos Luiz e José, gritávamos para Das Dores, babá e anjo da guarda: - Das Dores “caga” a luz que eu quero dormir! E ela aos gritos respondia: - Já caguei. Já caguei! Repetíamos a brincadeira toda santa noite, até o dia que ela foi embora e nunca mais voltou. Depois vieram a Joana das águas e por fim, a Teresa do amor. Joana tinha uma doce tara por mim. Banhava-me em uma bacia com água morna e uma colher de sopa de açúcar (dizia ela que era para eu ficar docinho e gostoso...) e Tereza, com o seu delicioso aperto de coxas, nos ensinou o amor de mulher. Reminiscência poéticas do livro: Na Linha do Cerol.

03.03.2013

Clô Orozco

Fui vizinho da empresária de moda Clô Orozco, na Rua Rio de Janeiro, no bairro de Higienópolis, São Paulo. Sua morte uma perde para todos que conheciam a sua marca inconfundível. Não sabia que suas empresas atravessavam problemas financeiros. Uma tristeza! Esse é o Brasil de hoje que abandonou seus empreendedores, artistas, intelectuais, inventores e cientistas. Hora de propor aos espertos do poder a grife do vale-vida.

29.03.2013

Canoa furada da eficiência

190 é o número que “se liga” quando há uma emergência. O brasileiro já o conhece: virou algoritmo de rotina. Vez por outra funciona e quase sempre trava. O composto deveria ser de “excelência” igual a 10. Hoje li matéria da FOLHA sobre a MP dos Portos. Fiquei sabendo que um navio estrangeiro que chega ao Brasil precisa de 190 informações para poder atracar. Para exportar “isso” e mais “aquilo”. Seis dias são gastos com documentos para liberar um contêiner. Em Cingapura apenas um dia e nos EUA, dois. Um contêiner no Brasil custa pouco mais do que o dobro que nos portos da Europa. Nota: não adianta ligar para o 190 e reclamar do pacotaço burocrático. Recomendamos ligar direto no 181 do disque denúncia.

26.05.2013

Foi de arrepiar!

Quem são os “poucos” e os “vândalos” que assolam o que é justo e de direito? Hora de identificá-los e prendê-los na forma da lei. O povo quer o que lhes foi prometido: educação, saúde, moradia, transporte e segurança. Não podemos macular o que é puro, belo e valioso na ideologia do coração. O povo brasileiro “acelerou-se” e cantou com amor o seu belíssimo hino. Futebol também têm dessas surpresas. Foi de arrepiar. Nada - ainda - está perdido na Terra dos Canarinhos.

23.06.2013

Um achado de Clarice

Um achado! Hoje comprei de um colecionador do interior de São Paulo a coleção completa e encadernada, desde o número 1, da Revista PAN (Semanário de Cultura Mundial, no formato 24 x 32 cm, que circulou no Brasil de 1935 até 1940, totalizando 241 edições) do editor José Scortecci, meu avô materno. Foi na edição de 25 de maio de 1940 que Clarice Lispector publicou o conto “Triunfo”, considerado por especialistas o seu texto de estreia na literatura brasileira. Mistérios fazem da Revista PAN um achado do jornalismo brasileiro.

28.06.2013

Copa do Mundo

Calma Brasil. Hora de serenar os ânimos. Apaziguar o coração humilhado. Perdido. Quase traído. Fomos vencidos pela espada alemã da bola. Gol é assim mesmo: bate na trave e entra. Pena que desta vez não foi um gol dos nossos. Dizem que em 50 foi igual. Luto e tristeza do povo da bola. Hora de abraçar nossas perdas e aprender com a dolorida derrota. Isso também passa Brasil.

08.07.2014

Arigatô

Hoje de manhã fui a cerimônia em memória de Hiroshi Kitani, que faleceu no último dia 30 de agosto, aos 73 anos de idade. Trabalhei sob o seu comando exatos 5 anos, na FK. Foi o meu primeiro e único emprego. Deixei a FK (empresa de Yujiro Furucho), em 1982, para montar a Scortecci e ele, junto com o Amigo Celso Kunioshi, a Kitani Locações. Em 58 anos de vida conto nos dedos as pessoas que marcaram e influenciaram minha vida profissional. Hiroshi Kitani foi uma delas. Foi um Mestre. Um economista brilhante, rápido, inteligente, humilde, sincero e honesto. Seu lema: “Cliente não é bobo e concorrente não é inimigo”. Seus ensinamentos estão até hoje no corpo administrativo da Scortecci. Registro o meu amor e respeito ao povo Japonês. Eles são “estrelas” no meu céu e me acompanham - sempre. Arigatô Kitani San. Arigatô.

06.09.2014

São Silvestre

Hoje fiz a minha inscrição na Corrida Internacional de São Silvestre, que chega a sua 90ª edição. Estou realizando um sonho antigo, de 40 anos. Cheguei em São Paulo em fevereiro de 1972 e minha paixão pela prova de rua foi “avassaladora”. No coração valente as palavras do jornalista Cásper Líbero, idealizador da prova: “Felizes são os homens que conseguem ver o mundo de uma forma diferente”. Façamos assim!

12.11.2014

Pratos exóticos, impróprios, explosivos!

Antônio Houaiss morreu em 99. Um “crânio” brilhante. Gostava de contar “causos gastronômicos” e quando o fazia usava toda a maestria de um filólogo gourmet. Nos anos 80 - Eu, Houaiss e Enio Squeff - combinamos de comer uma “pasta” no Restaurante Gigetto. O Mestre Houaiss adorava pratos exóticos, impróprios, explosivos, quase mortais. Perguntei: - Qual de todos os pratos lhe foi mais difícil comer? Houaiss nos surpreendeu respondendo de pronto: - cérebro de macaquinho vivo! Depois, sem pressa, fatiou-nos com sabedoria e inteligência sua cerebral aventura. Confesso: Houaiss falando me abriu o apetite. Tarde da noite, o restaurante esvaziou-se e, teve que fechar. Já era hora de partir. Lá fora acontecia apenas uma prévia alvorada. Mestre Houaiss nunca mais se repetiu na minha vida. Foi quase uma despedida.

10.03.2013

Na velocidade de um velocípede

Em 1982 tornei-me editor para publicar livros. Era jovem e acreditava que com isso resolveria de vez todos os imbróglios do vasto e maravilhoso mundo “das letrinhas”. Enganei-me. Em 1986 abri uma gráfica, hoje digital. Imprimir passou a ser - por um bom tempo - o negócio. Enganei-me. Abri uma livraria e em seguida uma “logística” para vender e comercializar mais livros. Enganei-me. Em 2003, abri a Escola do Escritor. Queria trabalhar com a formação de autores e em especial profissionais do mercado de livros. Enganei-me. Criei os selos Fábrica de Livros (pequenas tiragens) e Pingo de Letra (infantil) e agora, para o início de 2014, o Espaço Scortecci, endereço para cursos, palestras, oficinas literárias e lançamento de livros. Com certeza mais um engano. O ano de 2014 ainda nem começou e eu já estou pensando no que vou “me enganar” para 2015.

08.12.2013

O livro nos chama

O livro nos chama - alguns até pelo nome - sussurram “feitiço” e nos carregam pra longe. Não nos devolvem iguais. Ler nos transforma em viajantes do tempo. Algumas letrinhas dizem muito e outras dizem tudo. As que não dizem nada - é o momento - são infinitos que ainda não brotaram e aguardam seus dias de sol. Lá adiante terão sentido. Serão razões em nossas vidas. Não há silêncio no grito do papel deflorado no ato da leitura: abra-me em abracadabras, doe-me em dobraduras! Encantamento. Amuleto muito além do jardim. 

21.07.2013

Papuda é melhor que cachaça ruim

“Papuda” em algum lugar do popular significa pessoa do sexo feminino que conta muito “papo” furado, vantagens, conversa pra boi dormir. No pai dos burros, significa cachaça artesanal, de má qualidade, geralmente feita com água e álcool. No GPS da casa da mãe joana, aponta para o Complexo Penitenciário da Papuda, na região de São Sebastião, no Distrito Federal, às margens da estrada que liga a capital federal, Brasília, ao município mineiro de Unaí. Isso prova o quanto a nossa língua é oportuna e cativa. Dizem que lá na "Papuda" as visitas são brevidades e não duram mais do que o efeito de uma cachaça ruim. Gente papuda! Tudo de conversa fiada pra boi dormir.

24.11.201

Aloprados na CEF

Sempre gostei de saber da sorte. Minha, dos outros, de alguém que um dia ganhou alguma coisa. Sou um comprador de bilhetes dos “bichos” leão e borboleta, e um disciplinado jogador da MEGA. Adoro rifas, bingos e roletas. Tenho até um número da sorte: o preto 17. Hoje continuo lendo na mídia sobre “as fraudes” na CEF. Nada contra Itapipoca, Serra da Saudade, Borá, Araguainha, Chapada de Areia e Parari. Cidades sortudas! São Paulo, que representa mais da metade das apostas nas loterias, no jogo das bolinhas e das probabilidades, continua com um azar dos infernos. 
19.01.2014

Lendo 1942 do João Barone

Um dia eu tive 21 anos. Alguns duvidam disso. A vida é assim mesmo: “Desleal e desumana”.  Palavras do meu saudoso pai Luiz Gonzaga. Ele costumava dizer: “Não adianta comprar um canivete. O inimigo carrega um facão”. Estou lendo o livro “1942” do João Barone, rebelde baterista dos incríveis “Paralamas do Sucesso”. Doce saber do seu pai “João Silva”, pracinha brasileiro que lutou na II Guerra Mundial. Meu pai Luiz foi do Pelotão Sampaio. Chegou até a embarcar em um navio americano, mas o cascudo não zarpou. A guerra havia acabado! Minha avó Sarah - da promessa feita pela vida do seu filho Luiz - foi então resgatar na paróquia o anel com brilhante entregue ao padre. Voltou de mãos vazias. Hoje, “quase aos 60” compreendo o real significa da máxima “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Morrendo e aprendendo! 

12.01.2014

Stevie Wonder no Brasil

Stevie Wonder é do céu. Um deus incomum. Catou a sua gaita e foi tocar em frente a uma confeitaria, Asa Sul de Brasília, com um saxofonista de rua de nome João Filho. Foi emocionante! Por alguns segundos fiquei morrendo de inveja do anjo. Tocaram “Garota de Ipanema”. Provavelmente a pedido do Mestre Jobim, guiados pelo deus cometa: responsável pelo universo solidário de um momento único.

15.12.2013

Quando um amigo de infância nos esquece

Vez por outra - basta uma faísca de olho, cheiro, gosto e prazer - lembramo-nos de alguém. Onde será que anda fulano: vivo ou morto? Hoje brincar de busca até que é fácil e bem divertido. Outro dia encontrei um “galego do mau” garoto estúpido da minha cruel e doce infância no Ceará. Gostava dele. Fiz contato e ele me passou o número do seu celular. Liguei no ato da emoção. Que azedo foi saber que ali nada mais existia de nós. Em segundos percebi que nunca deveria ter voltado no nosso tempo. O limão agora era um corvo inerte, sem asas. Lembrei, lembrei e muito falei até resfolegar o silêncio. Nada o fez voar. Nem do chão saiu. Ele havia se esquecido de tudo: até dos melhores pecados da nossa infância pervertida! Desliguei-me de todas as lembranças. Perdi o rastilho de pólvora. O pirralho era até então o melhor dos meus exemplos de traquinagens, safadices e afins. Em algum lugar do passado ele deixou de ser um “gauche na vida”.

25.08.2013

Relendo papel antigo

Relendo anotações de rabisco encontrei versos de rodapé. Na época beiravam páginas e final de capítulo. Um livro assim não se vai. Não se despede nunca da vida. Na verdade fica de amor e suas lembranças pontuando histórias. Algumas letras foram borradas de dor e outras molhadas de água e sal. Alguns “aloegos” são do tempo passado de antigamente e outros oportunos: presentes inteiros dentro do hoje. Minhas parábolas são curvas de rodapé, beiradas de papel, palavras escritas em um pequeno corpo poético.

14.08.2013