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| A Morte e o Corpo / Adelaide Herra |
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Página 9: evasão de mim Página 12: jardim de revolta amordaçada Página 16: o poema inteiro Página 22: versos, ganchos de escuta Página 25: retrato, tudo antigo e profundo, ensinando-me coisas Página 28: o poema inteiro Página 33: pedaços de morte podem dividir o corpo Página 40: o poema inteiro Página 46: o poema inteiro Página 47: dor física em Alfa, que dói pelo mestre Página 72: um poema terrível Página 75: o poema inteiro Em busca de uma impressão geral, faço ao próprio livro algumas perguntas: 1. Como se configura a morte, neste livro? Dia único. Segredos jurados de morte. Banho de rosas de cheiro. Silêncio absoluto das locomotivas. Mecanismo organizado. Sede incomum liberta do corpo. Efervescência de fumos. Último silêncio da lembrança. Folhetim envesso. O velho, longe do nome que o envelhece.
2. E o corpo, como aparece? Dentro dele, a morte. Ícaro. Fatia da dúvida com a narrativa do dever. Corda de laços. Movimentos e anarquia. Estorvo da forma. Flauta alvejada pela morte. Pouso de altura duvidosa. |
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O poeta, ao nomear sua coleção de Água e Sal, subdividindo-a em duas partes, quis, consciente ou inconscientemente, condicionar a interpretação aos dois signos. Água seria a primeira parte e Sal a segunda. Símbolos da origem (água) e da vida (sal)? Muitas águas haveriam de correr, para que o sal nelas se diluísse. A vida misturada à origem?
Ao título acrescentou o subtítulo: fragmentos de tempo algum. A indeterminação do tempo sugere que nos habituemos aos fragmentos sem uma intelecção histórica, medida ou pesada. Convida o leitor a mergulhar na atemporalidade do mito. |
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Prezado João Scortecci Tive a satisfação de ler Na Linha do Cerol, e isso me fez lembrar os meus tempos de menino. Minha família morou por uns tempos em Parnaíba, norte do Piauí entre 67 e 71, oportunidade que assistíamos a TV do Ceará, Canal 2.
Talvez tenhamos recebido as mesmas influências desta TV. Lembro-me de Daniel Bonne, Bonanza, Raw Rait, Aquanaltas, Viagem ao fundo do mar, Durango Kid, etc. Bons tempos, aqueles. E jogávamos muito futebol, caçávamos passarinho e banhávamos em rios e riachos. Também íamos para a mata pegar guabiraba e muito sol na cara, coisas hoje difíceis na cidade grande. Nossa geração foi privilegiada, neste aspecto, embora tu sejas um pouco mais velho que eu. Espero conhecer outros livros de tua autoria. Um abraço
Carlos Eugênio 19/12/2003 |
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Amigo e Poeta João Scortecci: Muito grato pelo envio de seus livros - Água e Sal, A Morte e o Corpo, O Eu de Mim (que achado!) e gostei muito.
Gostei de ouvi-lo na discussão sobre poesia, nesta terra. E agora de lê-lo.
Você consegue síntese e densidade. E o espaço brilha com as palavras.
Dos três o que mais me tocou - Água e Sal (pág. 11, 13, 17, 29, (43 extraordinário!), 45, 47, 53, 88).
Depois A Morte e o Corpo (11, 21, ´mecanismo reorganizado da morte´ que verso este! esplêndido e só!, 48, 70, 76) .
Em O Eu de Mim - marcante é o poema O Cão.
Se viajar a São Paulo e possibilidade surgir, visito-lhe.
Com amizade, o seu admirador, Carlos Nejar Vitória, 13 de agosto de 1989. |
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Caro João Scortecci De muitas maneiras, (e não tantas neste país), as pessoas resistem no ofício.
Recebi o livro de Maria Lúcia Pinheiro Sampaio que tua editora trouxe a público. Sem dúvida, um ponto de partida fundamental para um levantamento menos preconceituoso da poesia no Brasil.
Há muitos anos tento um espaço descentralizador da cultura brasileira no Sul (em Blumenau, Santa Catarina) e gostaria de receber esta obra para revender em meu espaço cultural.
Peço enviar condições, para iniciarmos um contato mais eficaz. Na próxima viagem a São Paulo tentarei avistá-lo. Por favor, se houver interesse de tua editora comunique-se.
Abraço fraterno
Lindolf Bell Blumenau, 11 de maio de 1991.
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| Na Linha do Cerol / Caio Porfírio Carneiro |
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Na Linha do Cerol, ao longo dela, desfilam, em traços elípticos, instantâneos vários, como num jogo de cartas dispersas, lá da infância perdida. Na Linha do Cerol deixou eternizada no céu da meninice a arraia altaneira, mas enovelou no carretel da existência momentos exatos vividos, espelhados com tanta precisão e magia que cada segmento dos quarenta e oito que compõem o livro é um retorno completo ao passado.
Cada módulo - digamos assim -, embora exponha uma face explícita e fotografia do tempo de menino, de miniconto, de documento, de reportagem... Uma amálgama só de muitos ingredientes, arco amplo que bordeja até o simbolismo, pleno daquele explosivo explícito referido – a uma reminiscência. Explosivo porque cada lembrança pinçada é uma detonação que vai fundo, resolve tudo, em extensão enorme para tão poucos versos. Porque são versos, que alcançam às vezes a linha do desabusado, como em Bandeira, mas nada igual a Bandeira, porque aqui não há o caricato. |
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| Na Linha do Cerol / Fábio Lucas |
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O poema global, de que as composições menores são parcelas, percorre os marcos da formação afetiva do poeta e reúne os sinais da trajetória até o momento da enunciação. Que marcos seriam esses? A natureza e seus elementos, as pessoas e suas relações, formalizados em termos de rememorações. O passado que não passou.
Para concretizar esse percurso como textualidade de um projeto evocativo, o poeta manifesta o rigor de sua opção semântica, dando significado a vocábulos e circunstâncias que contextualizam o ambiente formador da sensibilidade. O leitor poderá perceber a sobriedade do discurso poético, caracterizado pela concentração de substâncias, mais do que de qualitativos abstratamente nomeados. |
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| Na Linha do Cerol / Geraldo Pinto Rodrigues |
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João Scortecci já tinha experiência do fazer poético. Publicou, anteriormente, entre outros livros de versos, recebidos com boa orientação, A Morte e o Corpo, O Eu de Mim, Luanda. Mas é inegável que este volume recém-editado é, até agora, a sua melhor proposta.
Reportando-se à infância em Fortaleza, faz de seu papagaio sua arraia nordestina, um mensageiro dos sentimentos de menino que enredaram a sua vida. Bastava a linha da pipa ganhar peso de barriga / ou vento forte / que o corte era certo e rápido / sem mercúrio cromo. Se o corte da linha com cerol cortou seus vínculos com o Ceará, não decepou, porém, nem suprimiu sua ternura, seu brincar, lobinho da matilha amarela, ou escoteiro da patrulha Leão. No escoar do tempo, reminiscências só, puras, cristalinas, emblemáticas. Geraldo Pinto Rodrigues |
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| Na Linha do Cerol / Hugo Pontes |
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O livro traz por tema as reminiscências do autor. O ambiente é a cidade de Fortaleza, no Ceará, e o tempo é o da sua infância, aos oito anos. A publicação, segundo o autor, marca os vinte e cinco anos de exílio voluntário e necessário na distância do nascer, morar, crescer entre o Ceará e São Paulo.
Os poemas trazem o sentimento da saudade e o resgate de um tempo bom, pelo qual todos nós passamos. Ler Na Linha do Cerol é visualizar, nos versos, a história de cada um de nós, da nossa terra, juntos daqueles que nos são (eram) caros e da paisagem inesquecível da nossa infância, quando tudo era superdimensionado, o mundo era mais franco e a existência mais feliz. Hugo Pontes |
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| Na Linha do Cerol / Leontino Filho |
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Parabéns pela beleza poética de Na Linha do Cerol. Seus versos carregam a gravidez da terra e da gente em cada passagem lida. A infância prenhe de alegria e de fascínios nos remete ao infinito universo da ternura e da solidariedade. Você é terno, saudosista, sensível e altamente poético sem ser piegas.
Aventurar-se nos meandros da memória é um risco, pois, das pequeninas lembranças que amontoamos em nossa mente, poucas são (d)escritas com a verdadeira face das vivências. Em seu livro, percorremos o perigo da travessia que sinaliza para uma vida mais harmônica e fraterna.
O vidro amassado/colado à linha — voa livre como os nossos sonhos. Todo vôo é risco, todo ar é risco... toda linha é caminho, todo cerol nos acompanha como espinhos de uma aventura que tentamos vencer.
Leontino Filho |
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| Na Linha do Cerol / Lília A. Pereira da Silva |
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Mais tarde, das quermesses no chão de paralelepípedos, a lamparina no pensionato, as pererecas assustando.
O autor derrama sensualidade das suas primeiras emoções em Margarida (que moía carambolas maduras na prensa de suas coxas), em Rita Twist de corpo aveia e em Teresa (Mistura de rapadura e água de coco. (...) Teresa foi assim. De pé).
João tem, na sua pureza de menino, a presença do muçum preto que pode sair da toca, mas a certeza de que Não há sangue. Medo e confiança.
O poeta substitui em versos toda sua autobiografia. Nada mais agradável do que lê-la em tão poucas palavras. Lília A. Pereira da Silva |
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| Na Linha do Cerol / Osvaldo Lopes de Brito |
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E o segundo apresentador, Caio Porfírio, observa que Na Linha do Cerol, ao longo dela, desfilam, em traços elípticos, instantâneos vários, como num jogo de cartas dispersas, lá da infância perdida... E ambos, em várias páginas, elogiam o escritor e o memorialista. De fato, o mesmo que aconteceu comigo. Gostei do jeito de Scortecci narrar sua vida, desde a infância, e do estilo literário, muito bem apoiado pelas gravuras.
No enredo, o cenário é a cidade de Fortaleza (CE), em 1964. Fala de sua infância depois de 25 anos pas- sados em seu exílio das plagas paternas. Com amor e carinho.
Apenas para o leitor ter uma idéia mais precisa do tema e do seu modo descritivo, transcrevo algumas linhas: Lá fora, no pátio de ser menino inocente/ brinco de marcha-soldado-cabeça-de-papel/ no golpe revolucionário dos fatos/ que é verde em tudo. Osvaldo Lopes de Brito |
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| Na Linha do Cerol / Samuel Penido |
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Há um olhar para trás, sim, mas um olhar que procura fixar toda uma atmosfera de iniciação nos mistérios da vida, através do filtro da memória. Memória que privilegia o ponto de vista da criança, excluindo assim tudo que possa vir a parecer recriação arbitrária da idade adulta. Daí a inegável autenticidade das lembranças e imagens que se sucedem, página a página, como que resgatadas do subconsciente de alguém que tivesse carregado anos afora, intato, o mundo de sua infância.
Trata-se de reminiscências, como faz questão de registrar o poeta no subtítulo da obra, porém, reminiscências de verdade — não encobertas pelo véu da fantasia. Distantes, portanto, de um certo tipo de memorialismo que tende a transformar o tempo da infância em pura ficção, impregnada quase sempre de tons angelicais. |
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| Na Linha do Cerol: Reminiscências Poéticas / Fernando Py
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Tribuna de Petrópolis - 18.04.2008
João scortecci faz uma poesia arriscada. Não são comuns os livros de recordações pessoais em verso, mas, neste caso, o autor soube realizar-se como poeta sem apelar para o excesso de subjetivismo, sendo basicamente racional, nem para o sentimental inútil.
O conjunto mostra que o poeta recria a infância com propriedade, selecionando momentos da meninice na terra natal (Fortaleza); o coloquial é enxuto e o texto, quase sempre no indicativo presente, confere uma dimensão apropriada ao que é descrito. É uma leitura que vale a pena.
Fernando Py
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| Relógio de Sol / Carlos Burlamáqui Kopke |
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João Scortecci universaliza os temas que o motivaram. Mostra-se, através da intuição poética, um esquadrinhador de fatos, de onde, desentranhando vida, faz confluir, para poemas de bons achados cinético-expressivos, aparências transvertidas e comutadas e, sobretudo, os mananciais psíquicos de que, verdadeiramente, o vemos dotado.
João Scortecci sabe mostrar a unidade mítica das coisas, a problematicidade e o mistério que as envolvem, o que o torna um poeta reflexivo no conteúdo. É, sem dúvida alguma, uma personalidade interiorizada, alguém que pode transformar a realidade e seus desvarios em atos poéticos. Carlos Burlamáqui Kopke |
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Meu Caro João Scortecci, Muito grata pelo envio de Água e Sal (Fragmentos de tempo algum).
Boa poesia. Concisão, Imaginação. Sensibilidade.
Gostei em especial desse poema de brilho e movimento: Freios e músculos são do cavalo ali na parede nua Ele se foi ontem e hoje ainda corre na parede da sala. Gostei do livro inteiro, aliás. Abraço fraterno da Stella Leonardos |
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Este repórter José está feliz por ter vivido para ver o dia em que se abriu, nesta desvairada paulicéia, uma livraria especializada em poesia.
João Ricardo Scortecci de Paula, líder lirico-empresarial, autor de Memória Interior - livro de versos - é o dinâmico jovem a quem se deve a Livraria Scortecci Editora. Tavares de Miranda (Poesia, sempre... Folha de São Paulo - 15.04.1982) |
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