Boa noite!           Sexta 21/09/2018 22:05
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Adeus Chefe

Há pessoas que nos marcam por momentos. O médico que nos aparou, ao nascer. O padre que nos batizou. Os padrinhos de crisma e casamento. Enfim, pessoas que passam em nossas vidas e deixam um registro. Entram na biografia da gente...

Mas, há aqueles que são indeléveis. Ficam grudados em nossa história pessoal e nunca mais deixam de ser nossos companheiros de viagem. São geralmente pessoas ligadas à infância e à adolescência. Ficam porque viveram intensas emoções, situações especiais e comuns com grandiosidade e solidariedade. Aqueles que jamais iremos esquecer.

Meus amigos, essa semana eu perdi um grande guia, o Dr. Luiz Gonzaga do Carmo Paula. Cearense como a gente, que depois de adulto e vitorioso na profissão, resolveu nos deixar e ir morar nas terras da esposa, D. Nilce Scortecci de Paula,  em São Paulo. Dizia que precisava mostrar à família o outro lado, a parte ítalo-paulista. Por lá eles cresceram e hoje são prósperos profissionais, plenamente realizados.

Dr. Luiz Gonzaga era engenheiro civil, formado pela Universidade Mackenzie, com brilhante currículo. Filho de João Batista da Light, figura ímpar da História de Fortaleza. Ele sempre trabalhou para o Grupo J. Macêdo, onde teve oportunidade de dirigir e construir diversas obras, destacando-se a Cervejaria Astra, hoje Brahma. Dele também, a sede, do jornal O POVO na Aguanambi.

Esse era o homem profissional. De muitas outras e arrojadas iniciativas. Sempre com um sorriso nos lábios e uma última anedota para contar. Brincava com todos, desde o dono da obra, até o mais simples peão.

Com esse cidadão aprendi muita coisa. Aprendi como ser pai e líder. Amigo e determinado. Brincalhão e simples. Sua casa, na Avenida Dom Manuel, nos acolhia: os escoteiros do Colégio Cearense, onde seus filhos também faziam parte.

 Quantos acampamentos, quantas aventuras, quantas e arrojados projetos. E ele tomando parte em tudo. Meio brincalhão e chefe, sempre alegre e cooperativo. Um respeito imenso aos valores essenciais do humano. Sem falsos moralismos ou autoritarismo abusado.

Ah! Dói muito falar essas coisas tão pessoais. Dói o telefonema de São Paulo dizendo que Dr. Luiz morreu. Dói saber que um pedaço da gente terminou. O mestre foi embora, definitivamente...

 Acho que homens assim nunca deviam morrer!

Antonio Mourão Cavalcante
Médico e antropólogo. Professor Universitário.