Boa noite!           Sexta 21/09/2018 23:07
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Qual o segredo para escrever um bom livro?

Antes de pontuar dicas "pertinentes" obrigo-me a registrar o que me parece essencial e fundamental na vida de um autor: criatividade, talento e persistência. Sem sinergia e harmonia destes três elementos básicos, não vejo qualquer possibilidade de sucesso e êxito.

Lygia Fagundes Telles quando nos fala sobre a arte de escrever diz: “Rasgar, rasgar e rasgar. Eu rasguei muito.” Hoje, com o advento da ferramenta computador poderíamos dizer que o exercício de “Deletar, deletar e deletar...” explica com ciência e razão, aquilo que a dama da literatura brasileira nos ensina como segredo.

Vamos às dicas:

Ser um leitor. Um bom leitor. Um leitor voraz e criterioso. Se o objetivo é um romance concentre-se no gênero. Literatura brasileira e estrangeira, de autores conhecidos ou não. Faça buscas em sebos e bibliotecas, e você encontrará escritores que o aguardam. O livro chama! No exercício desta leitura observe com atenção o primeiro parágrafo da obra, como cada escritor começa a sua aventura, o trejeito com que ele trabalha os primeiros diálogos, planta a semente da trama e traça o fio condutor de sua história. É a hora do encantamento.

A entrada em cena de cada personagem - principal ou coadjuvante - precisa receber do autor uma carga inicial de energia. Quando o autor não o faz corretamente corre o risco de perder o seu leitor. Quando um personagem mostra força e carisma, o leitor o adota. O espera revê-lo em breve. Um bom perfil puxa e pede, de direito, o seu espaço na história. É comum em uma trama um personagem secundário - inicialmente criado para dar liga à história - ganhar fôlego e espaço, além do tempo planejado no roteiro inicial.

Ter uma boa história é fundamental: concisa, objetiva, clara e única. Conversando um dia com Fernando Sabino - gravávamos um programa na TV Bandeirantes - ele me disse: "Scortecci uma boa história é aquela que pode ser contada". Ela precisa ter começo, meio e fim. Trabalhe com simplicidade e objetividade no fio condutor da história. No elo do enigma. Evite a todo custo a ansiedade de querer concluí-la a qualquer preço. Tudo tem o seu tempo. O inverso - exagero e se estender além da conta - também não é recomendado. O ponto final deve ser "cometido" com precisão cirúrgica. Não existe um sino que toca ou um alarme que pisca nos avisando do fim. Ponto é ponto.